Mesquita Júnior lembra os 25 anos da redemocratização e diz que a política não pode virar 'empreendimento econômico'
Da Redação | 15/03/2010, 18h32
Em discurso nesta segunda-feira (15), o senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) lembrou o aniversário de 25 anos da posse de José Sarney como presidente da República, fato que simbolizou o fim dos 21 anos da ditadura militar e o início da redemocratização. Embora reconhecendo as conquistas do país nessas duas décadas e meia, observou que a democracia brasileira "ainda claudica", pois o "conluio entre os poderes executivos e o poder econômico" faz com que o Brasil fique cada vez mais longe "dos padrões de democracia a que o povo brasileiro aspira".
- Não permitamos que a política se transforme num empreendimento econômico no nosso país. Isso será cruel e fatal para essa democracia, que claudica e que a gente está tentando fazer com que se fortaleça e se firme no nosso país - pediu.
Geraldo Mesquita Júnior declarou que o Poder Legislativo brasileiro contribuiu significativamente para a construção e consolidação do estado democrático de direito no Brasil, mesmo nos momentos nos quais ficou enfraquecido ou impedido de funcionar, como no chamado Estado Novo e na ditadura militar iniciada em 64.
Na avaliação do senador, o Brasil avançou bastante nos 188 anos desde a Independência como, por exemplo, no aperfeiçoamento do sistema eleitoral e partidário. Mas, ponderou e lamentou o senador, a influência do poder econômico ainda é danosa ao país.
- O que não temos é o fim da influência da parceria dos poder executivos e do poder econômico nas eleições, em que o uso e o abuso da máquina pública e a interferência do poder econômico, financiador de pleitos, de partidos e de candidatos, com propósitos inconfessáveis tornaram-se rotineiros. O resultado é que as eleições perderam o sentido de mobilização cívica da população para se transformar num poderoso e maciço empreendimento econômico, dos mais ilegítimos e indecorosos que se tem notícia, a cada pleito - afirmou Mesquita Júnior.
Em apartes, os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Marisa Serrano (PSDB-MS) elogiaram o pronunciamento do colega. Marisa Serrano disse que o discurso de Mesquita Júnior reflete a necessidade de uma reforma política no Brasil.
- Há tanto tempo falamos que é necessária uma reforma política, que possa reorganizar o sistema partidário no país, que a população nem acredita mais que isso possa acontecer - disse a senadora.
Por sua vez, Paim lembrou que o 15 de março é também o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor e também defendeu a realização de "uma verdadeira reforma política" no Brasil.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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