Senadores destacam importância francesa na democracia, cidadania e cultura
Da Redação | 25/08/2009, 13h13
A influência dos franceses em todo o mundo, especialmente nos países do hemisfério ocidental, pode ser medida pela abrangência da democracia nas nações modernas. A avaliação é do vice-presidente do Grupo Parlamentar Brasil França, senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) durante sessão desta terça-feira (25) destinada a comemorar o Ano da França no Brasil.
- Se hoje a democracia é uma regra, e não honrosa exceção, devemos à Revolução Francesa, que difundiu pelo mundo os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade - afirmou o senador.
As afinidades entre os dois povos também foram destacadas por Zambiasi. A exemplo da sociedade francesa, observou, "somos um povo que não tolera a intolerância, que valoriza a liberdade de pensamento e de expressão e dela não abdica".
Zambiasi ressaltou ainda a importante troca de experiências entre Brasil e França nas áreas de inovação tecnológica e da pesquisa científica, bem como a realização de parcerias sediadas nos dois países e também em outras regiões do mundo, especialmente na África, Caribe e América Latina.
O senador homenageou ainda a Aliança Francesa, agente de difusão cultural da França no Brasil, sem a qual, ponderou, a troca de experiências entre as culturas brasileira e francesa não seria tão bem-sucedida. A instituição está presente no Brasil desde 1885, apenas dois anos depois da criação de sua sede em Paris, e soma hoje 39 associações e oito centros em quase todos os estados brasileiros, divulgando a língua e a cultura francesa, além de promover diversas manifestações artísticas.
Cidadania
O legado francês para a construção da cidadania no Brasil, por meio dos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, originários da Revolução de 1789 e do Iluminismo, foram destacados também pelo senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB).
- Se hoje podemos falar que vivemos em uma sociedade mais justa, mais democrática e mais cidadã, devemos isso ao processo de absorção pela nossa cultura política desses ideais criados na França - disse Cavalcanti, destacando ainda a influência francesa na pintura, escultura, música e arquitetura.
Além disso, Roberto Cavalcanti citou o reforço dos laços estratégicos atuais entre Brasil e França por meio da parceria para o desenvolvimento do submarino brasileiro de propulsão nuclear.
Dívida
A dívida para com a França, que o recebeu quando não pode permanecer no Brasil por razões políticas, foi lembrada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Cristovam agradeceu aquele país por ter aberto os seus horizontes culturais. Na França, Cristovam contou ter encontrado professores que ajudaram na sua formação.
O senador lembrou também a dívida que o Brasil tem para com a França pela influência dos grandes intelectuais daquele país no processo histórico de independência de Portugal e de projeção do nosso modelo republicano.
Reconhecimento
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), lembrou em seu pronunciamento que é forte o domínio da cultura francesa no Brasil, que soube utilizar-se dessa influência para "manter-se associado ao mundo culturalmente desenvolvido". Não é, portanto, segundo o parlamentar, por razões meramente econômicas ou oportunistas que surgiu a idéia de fazer o ano de 2009 o Ano da França no Brasil.
- Comemorar a França no Brasil não é demonstração de servilismo diante de outra nação, mas o reconhecimento orgulhoso de que soubemos incorporar à cultura brasileira o que de mais nobre se produziu no velho país de Asterix - garantiu o presidente da CRE.
Marcelo Crivella (PRB-RJ) enfatizou que as relações entre Brasil e França vão muito além do campo econômico, pois são, antes de tudo, "culturais e espirituais", afirmou o parlamentar, para quem é preciso refletir sobre o espírito francês e seus ideais.
Já Mão Santa (PMDB-PI) lembrou que a herança brasileira é, em grande parte, francesa, portanto, é preciso comemorar todos os anos o Ano da França no Brasil.
Forças Armadas
Na presidência da sessão, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) também destacou os laços históricos que unem Brasil e França. Tuma ressaltou a influência das Forças Armadas francesas na linha de trabalho das Forças Armadas brasileiras e da Polícia Militar do Brasil. Ao ressaltar ainda a vinculação entre os dois países, Tuma lembrou que, quando estudante, o hino francês era cantado em sua escola e a bandeira daquele país era hasteada ao lado da brasileira.
Denise Costa e Valéria Castanho / Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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