Sarney nega ter favorecido o neto

Da Redação | 29/06/2009, 20h14

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), enviou aos outros 80 senadores carta datada de sexta-feira (26) negando que a Sarcris, empresa do neto dele José Adriano Cordeiro Sarney, tenha sido favorecida na concessão de empréstimos consignados (com desconto em folha) em convênio com o banco HSBC a funcionários do Senado.

Na carta, Sarney diz que deseja esclarecer fatos relacionados à denúncia publicada pelo jornal o Estado de S. Paulo de que José Adriano Cordeiro Sarney teria sido favorecido. Sarney assinala que a autorização do Senado para que o banco HSBC operasse com crédito consignado foi concedida em maio de 2005, quando ele não ocupava cargo na Mesa Diretora.

"A empresa da qual é sócio José Adriano Sarney, a Sarcris, começou a operar em 11 de setembro de 2007, portanto, dois anos depois da autorização. A empresa atuou como parceira do banco (HSBC) num mercado que inclui empresas privadas e instituições públicas. Quando assumi a Presidência em fevereiro (de 2009), a Sarcris já estava descredenciada pelo HSBC e não operava mais no Senado. Assim, nenhuma ligação pode ser feita entre a minha Presidência e o fato objeto da reportagem", afirmou o presidente.

A carta, diz Sarney, destina-se a esclarecer fatos que teriam sido "deturpados por imprecisões, omissões e falsas ilações" na reportagem publicada na edição da última quinta-feira (25).

Sarney também anexou à carta ofício enviado ao ministro da Justiça, Tarso Genro, pedindo que a Polícia Federal investigue "todos os empréstimos consignados no Senado e as empresas que os operam" e encaminhou aos parlamentares cópia da carta enviada por José Adriano Cordeiro Sarney ao Estado de S. Paulo e nota do HSBC sobre o assunto.

"Quero reafirmar que nenhuma denúncia ficará sem apuração e que todas as medidas estão sendo adotadas com firmeza e decisão", diz Sarney.

Na carta enviada ao jornal Estado de S. Paulo, José Adriano Sarney esclarece ser economista e administrador com pós-graduação nas universidades Sorbonne (França) e Harvard (Estados Unidos). Trabalhou no HSBC e por isso teria conseguido credenciar a empresa Sarcris junto aquele banco quando começou a operar em Brasília. José Adriano Sarney esclareceu ainda que o HSBC fornece crédito a funcionários públicos desde 1995. O neto do presidente de Sarney conclui dizendo que nunca teve qualquer favorecimento e que é um profissional qualificado.

Já o banco HSBC, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que o convênio foi firmado com a Sarcris em maio de 2005 e que o banco fazia negócios com outras cinco empresas de atividade semelhante. Desde fevereiro de 2009, porém, o banco desativou todas as parcerias com as seis empresas que prestavam serviço de correspondentes bancários ao HSBC, inclusive a Sarcris. O banco informa, ainda, que, no total, realizou empréstimos consignados a funcionários do Senado no valor de cerca de R$ 27 milhões. Desses, R$ 3.650.692,15 representaram negócios com a Sarcris, que recebeu pelo serviço comissões no valor de R$ 181.935,42.

De acordo com a reportagem do jornal, as operações de crédito consignado no Senado incluem entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do senador José Sarney, filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA). De 2007 até hoje, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, empresa de José Adriano, chegou a ter autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos com desconto na folha de pagamento dos servidores: HSBC, Fibra, Daycoval, CEF, Finasa e Paraná Banco.

Segue abaixo a íntegra da carta enviada por Sarney aos senadores:

"Brasília, 26 de junho de 2009

Em face de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo em sua edição do último dia 25, julguei do meu dever pedir um pouco de sua atenção para repor a verdade dos fatos, ali deturpados por imprecisões, omissões e falsas ilações.

No mesmo dia ao da publicação da reportagem, quinta-feira, o HSBC divulgou uma nota que, lamentavelmente, não mereceu o mesmo destaque da falsa denúncia. Nela, o banco esclarece a cronologia dos fatos e os modestos resultados empresariais que, por si sós, calam quaisquer insinuações de favorecimento. Peço-lhe ler a nota do HSBC.

A autorização do Senado - peço fixar essa data - para operar em crédito consignado com o HSBC foi em maio de 2005, quando eu não ocupava nenhum cargo na Casa. A empresa da qual é sócio José Adriano Sarney, a Sarcris, começou a operar em 11 de setembro de 2007, portanto, dois anos depois da autorização. A empresa atuou como parceira do banco num mercado que inclui empresas privadas e instituições públicas. Quando assumi a presidência em fevereiro, a Sarcris já estava descredenciada pelo HSBC e não operava mais no Senado.

Assim, nenhuma ligação pode ser feita entre a minha presidência e o fato objeto da reportagem.

Quero também comunicar-lhe que pedi à Polícia Federal que investigue todos os empréstimos consignados no Senado e as empresas que os operam.

Faço juntar, para seu conhecimento, a carta encaminhada por meu neto ao O Estado de São Paulo, a nota do HSBC com mais detalhes sobre o assunto e o meu pedido de investigação à Polícia Federal.

Quero reafirmar que nenhuma denúncia ficará sem apuração e que todas as medidas estão sendo adotadas com firmeza e decisão.

Com os meus cumprimentos."

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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