Situação de brasileiros condenados na Indonésia não deve ter solução rápida, diz embaixador

Da Redação | 23/04/2009, 13h02

A situação dos dois brasileiros condenados à morte na Indonésia por tráfico de drogas - Marco Archer e Rodrigo Gularte - dificilmente será resolvida antes das eleições gerais que ocorrerão até o final do ano naquele país. A previsão foi feita pelo embaixador designado para a Indonésia, ministro de segunda classe Manuel Innocencio de Lacerda Santos Júnior, cuja indicação recebeu nesta quinta-feira (23) parecer favorável da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

O governo brasileiro tem procurado evitar, segundo o embaixador, que o episódio prejudique as boas relações entre os dois países no atual momento. Ele reconheceu, no entanto, que a condenação dos dois brasileiros tem provocado impacto junto à opinião pública nos dois países. Na Indonésia, como informou aos senadores, existe um "clamor popular" a favor da pena máxima aplicada a casos de tráfico de drogas. E a repercussão do episódio no Brasil já levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a apresentar um pedido de clemência em favor de um dos brasileiros envolvidos.

Lula visitou a Indonésia em julho de 2008, quando assinou com seu colega indonésio Susilo Yudhoyono diversos acordos, entre os quais um referente à cooperação na produção de etanol. Em novembro, foi a vez de Yudhoyono visitar Brasília, para assinar, entre outros documentos, uma Declaração de Parceria Estratégica. As duas visitas no mesmo ano indicam o "excelente nível" das relações bilaterais, segundo o embaixador.

Innocencio salientou, durante a exposição aos senadores, as afinidades existentes entre os dois países. Entre elas, o fortalecimento do regime democrático, a grande biodiversidade das suas florestas, a população multiétnica e a liderança que Brasil e Indonésia exercem, respectivamente, no Mercosul e na Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Ele informou ainda que a negociação de um acordo entre o Mercosul e a Asean deverá ser tema de uma reunião ministerial até julho de 2010.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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