Jucá diz que não há razão para a oposição se sentir afrontada com MP que dá poderes à CEF e ao BB de adquirir bancos
Da Redação | 22/10/2008, 21h12
O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou, em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (22), não haver motivos para a oposição se sentir desrespeitada com a iniciativa do governo de editar uma medida provisória (MP 443/08) dando poderes ao Banco do Brasil (BB) e à Caixa Econômica Federal (CEF) para adquirirem participação em outras instituições financeiras.
- Não há nenhum desrespeito e nenhuma falta de responsabilidade do governo em editar uma medida provisória que visa dar instrumentos ao sistema financeiro público, dando dotações, dando procedimentos para que a área financeira possa atuar na aquisição de bancos privados ou entidades financeiras. E, de outro lado, o governo também ganha instrumentos para investir mais através da Caixa Econômica - frisou o líder.
Jucá esclareceu também que a intenção do governo é fornecer instrumentos ao sistema financeiro brasileiro para enfrentar a crise financeira internacional, dando a ele maior solidez. Jucá assinalou que não se trata de ajuda a qualquer instituição financeira, mas, sim, tomar medidas que já vinham sendo estudadas, com a possibilidade de a Caixa Econômica e o Banco do Brasil se associarem, inclusive, a empreendimentos de investimento.
Para o líder do governo, não havia a necessidade de o governo discutir o assunto antes com a oposição, por se tratar de medida provisória, que está sujeita a emendas e a discussão, podendo ser aperfeiçoada.
- Nós vamos receber colaborações tanto da base do governo quanto da oposição. E, se forem emendas que venham a melhorar e aprimorar o projeto, nós iremos votar favoravelmente - disse o parlamentar.
Transparência
Indagado pelos repórteres sobre a decisão da oposição em recorrer à Procuradoria Geral da República (PGR) para pedir o acompanhamento do processo pelo Ministério Público, sob a alegação de que a medida estaria financiando "banco podre" com o dinheiro do contribuinte, Jucá respondeu mais uma vez não ver motivos para desconfiança.
- O governo não está fazendo nada escondido. O governo baixou duas medidas provisórias, está atuando com responsabilidade fiscal e é bom que toda a sociedade, de modo transparente, acompanhe isso - ponderou.
As duas medidas provisórias citadas por Jucá são a MP 442/08, publicada no dia 6 de outubro, que facilita a atuação do Banco Central no socorro a instituições financeiras em dificuldades; e a MP 443/08, editada nesta quarta-feira.
Cristina Vidigal / Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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