Agripino critica presidente Lula por "insultos" na campanha eleitoral em Natal (RN)

Da Redação | 07/10/2008, 19h56

Depois de tratar da crise financeira internacional, o senador José Agripino (DEM-RN) completou seu discurso criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter "insultado a oposição", e a ele próprio, ao participar da campanha eleitoral em Natal (RN). Para o senador, as palavras e os "insultos" do presidente caracterizam uma "tentativa de calar e intimidar a oposição". Em apartes, 15 senadores comentaram o pronunciamento e solidarizaram-se com o colega.

De acordo com o senador, o presidente Lula, em comício na capital potiguar, proferiu insultos contra ele, contra a oposição, e contra a então candidata Micarla de Sousa (prefeita eleita de Natal, pelo PV, com apoio de Agripino).

Em apartes, 15 senadores solidarizaram-se com Agripino e concordaram que os políticos e governantes precisam praticar o respeito mútuo, inclusive o próprio presidente da República: Demóstenes Torres (DEM-GO), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Efraim Morais (DEM-PB), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), Eduardo Suplicy (PT-SP), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Jarbas Vasconcelos (DEM-PE), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Adelmir Santana (DEM-DF) e Lobão Filho (PMDB-MA).

- O presidente da República demonstrou mais uma vez para a Nação que é presidente pelos êxitos da sua política econômica, porque pelas suas virtudes pessoais ele estaria numa posição de muito menor destaque - disse Demóstenes Torres.

Para Agripino, a grande vencedora da eleição foi Micarla de Sousa, tendo ele apenas apoiado a candidata.

- O mérito é dela. Eu fui o apoiador cuidadoso, eu tenho a preocupação em que ela tenha êxito administrativo. Agora, uma preocupação que tive e que continuo a ter: não nacionalizar fatos municipais. O presidente foi lá com o objetivo claríssimo de, julgando-se acima do bem e do mal, nacionalizar um pleito para transformar a disputa municipal em uma disputa entre o presidente Lula e o senador José Agripino - disse o líder do DEM.

Rosalba Ciarlini disse que não existe democracia sem oposição e que as eleições municipais demonstraram que a democracia brasileira está mais fortalecida.

- O objetivo de esmagar a oposição não foi alcançado por uma razão muito simples: a democracia, que é o melhor sistema político que até hoje se inventou, dá ao povo o direito de escolher, e o povo escolheu e vai seguir o seu caminho - afirmou Agripino.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, preferiu apartear o colega falando do Plenário, e não da Mesa. Garibaldi apoiou a candidata Fátima Bezerra (PT), que perdeu para Micarla de Sousa a Prefeitura de Natal. Garibaldi concordou que Agripino tem razões para queixar-se do presidente Lula, porém disse que o presidente também tem motivos para discordar de Agripino, pelas diversas críticas que o líder do DEM faz ao seu governo nos discursos em Plenário.

- Eu apenas queria dizer, como seu colega de bancada, seu companheiro, que acho que vossa excelência, como vitorioso, deveria ser mais generoso. A generosidade é um traço, faz parte do sentimento daqueles que ganham uma eleição. Tripudiar sobre os vencidos não é o melhor caminho dos vencedores e nem faz parte do seu perfil, que tem exercido, na vida pública do Rio Grande do Norte, papel moderador, conciliador - disse Garibaldi.

- Não estou me vangloriando de vitória nenhuma. Apoiei alguns candidatos e quem ganhou a eleição foram os candidatos. Agora, o que estou denunciando é a tentativa de esmagamento da oposição. O que foi feito, em Natal, para mim é claríssimo: a tentativa de me excluir da vida pública numa atitude patrocinada pelo presidente. E a raivosidade dele, pessoal, que não cabe num pronunciamento público, traduz esse sentimento que guardo; guardo, mas não tenho nenhum rancor - respondeu Agripino.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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