Goellner quer sustar decreto presidencial por inconstitucionalidade

Da Redação | 14/08/2008, 15h43

O senador Gilberto Goellner (DEM-MT) anunciou nesta quinta-feira (14) ter apresentado projeto de decreto legislativo que visa sustar o Decreto Presidencial 6.514, editado em 22 de julho último. Esse decreto teve como propósito oficial, explicou o senador, regulamentar dispositivos de leis sobre o meio ambiente. Para o parlamentar, no entanto, o decreto, ao criar tipos de infração sem autorização legal, é inconstitucional.

Gilberto Goellner explicou que o decreto "criou novas obrigações, instituiu penalidades antes não previstas, estabeleceu nova hipótese de exclusão de infração e determinou não apenas a forma de aplicar a legislação e seus dispositivos, mas procedeu a uma ampliação dela", tendo se tornado "uma verdadeira extensão na lei que pretendia apenas disciplinar".

O representante do Mato Grosso justificou que sua proposta está prevista no inciso V do artigo 49 da Constituição, segundo o qual cabe ao Congresso Nacional "sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa".

Para Gilberto Goellner, a edição do decreto "é uma clara reação do governo às críticas que vem recebendo sobre a incompetência de seus órgãos ambientais para deter o aumento do desmatamento e o descontrole de outras questões ambientais", mas acabou por transformar esses órgãos, "já deficientes e burocráticos", em "órgãos de arrecadação". Ele também criticou a estipulação de sanções e multas "consideradas de difícil cumprimento a curto prazo, muitas vezes impagáveis". Afirmou ainda que o decreto trouxe "uma enorme preocupação" ao setor agropecuário.

Em aparte, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) afirmou que o decreto reflete "uma tendência ditatorial do governo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também em aparte, o senador Jefferson Praia (PDT-AM) afirmou que a fórmula do decreto não pode estar correta, já que as multas são exorbitantes. O senador Augusto Botelho (PT-RR) concordou com Jefferson Praia, ao afirmar que em nenhum lugar se aplica uma multa que não se pode pagar.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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