Para especialista, superdotado tem pouca visibilidade e é vítima de preconceito
Da Redação | 24/06/2008, 13h37
As crianças e os jovens com altas habilidades têm pouca visibilidade na escola e nas famílias, sendo um grupo que enfrenta "preconceito enraizado na sociedade brasileira". A afirmação é de Denise de Souza Fleith, professora do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, da Universidade de Brasília (UnB). Ela participou de debate promovido nesta terça-feira (24) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
- Há uma hostilidade encoberta da sociedade àqueles que se destacam. Também existe a crítica aos investimentos em programas para superdotados, sob a justificativa de que, no país, há milhares de alunos com problemas, com deficiência, necessitando de apoio - afirmou a especialista, ao apontar como desafio a mudança da visão social sobre as pessoas com altas habilidades.
Para a especialista, o superdotado sozinho não é capaz de desenvolver suas potencialidades, necessitando do apoio especializado da escola e do suporte adequado da família.
Como exemplo do pouco conhecimento do Brasil sobre o assunto, Denise Fleith citou dados do censo educacional feito pelo Ministério da Educação, o qual registra a existência de apenas 2.769 alunos superdotados no país, num universo de 55,9 milhões de matrículas da educação básica. Para ela, é preciso derrubar mitos como o que atribui apenas a fatores genéticos a manifestação de altas habilidades, subestimando o papel do ambiente no desenvolvimento dos talentos.
- Vale lembrar que um potencial não cultivado é um potencial perdido. O aluno com altas habilidades necessita de uma variedade de experiências de aprendizagem que estimulem seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social, favorecendo a realização plena de seu potencial - ressaltou ela.
Identificação de talentos
Em resposta à senadora Marina Silva (PT-AC), Denise Fleith citou como formas para identificar superdotados provenientes de classes menos favorecidas ou de ambientes culturais diversos a indicação de colegas e a auto-indicação do aluno talentoso para participar de projetos especiais ofertados pela escola. A especialista citou também a necessidade de avaliação da performance do aluno ao longo de toda a trajetória escolar, não se limitando apenas a um "retrato do momento". Sugeriu ainda o uso de jogos e exercícios para identificar o potencial dos estudantes em determinada área.
Questionada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sobre as carências do ensino aos superdotados, a professora da UnB apontou a necessidade de investimento em pesquisas na área. A pesquisadora defendeu ainda a ampliação do atendimento aos pais e a flexibilização curricular nas escolas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: