Heráclito Fortes lamenta o fechamento da BRA
Da Redação | 12/11/2007, 16h29
Em pronunciamento nesta segunda-feira (31), o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) lamentou que o fechamento da companhia aérea BRA esteja prejudicando exatamente a população mais pobre, que procurava substituir as perigosas e cansativas viagens de ônibus pelos aviões da empresa. O senador também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por se deixar fotografar ao lado do dono da BRA, durante cerimônia de anúncio da compra de 20 aviões da Embraer pela companhia,há cerca de 45 dias, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
- Sábado passado, fui abordado por um passageiro em desespero, que me disse que comprou passagens para viagem de fim de ano e estava no aeroporto antecipadamente, procurando uma saída. Eu perguntei por que ele comprou, com tanta antecedência, passagens em uma companhia de terceiro nível.Ele me disse que pelo simples motivo de o presidente Lula ter sido fotografado ao lado do dono da empresa. Vejo o Procon [Procuradoria de Defesa do Consumidor] cobrar da companhia, mas é preciso cobrar também do presidente da República - disse.
Em aparte, o senador João Pedro (PT-AM) concordou com o argumento de Heráclito de que o presidente da República não pode ser exposto a fatos dessa natureza, mas argumentou que Lula não poderia ser responsabilizado pelos problemas de uma empresa privada. João Pedro criticou os empresários da companhia, que, segundo ele, venderam 70 mil passagens aéreas e não as teriam honrado.
- Onde está esse dinheiro? Condeno a postura desses empresários, isso é irresponsabilidade, não ajuda o Brasil, não ajuda a aviação brasileira e expõe as outras empresas - afirmou.
Em resposta, Heráclito Fortes disse que o presidente Lula foi "leviano e inconseqüente" e que jamais deveria avalizar a compra dos aviões da Embraer pela BRA.
- Lula não foi ali apenas bater palma. Foi avalista, como presidente da República, de um negócio do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Quantos brasileiros honestos, com negócios em dia, tentam acesso ao BNDES e não conseguem. [A BRA] não pagou sequer a primeira prestação. Foi cancelada. E, se a operação está mantida, mais criminoso é ainda o governo que não tomou decisão urgente de mandar cancelar. É lamentável que se dê guarida a negociação dessa natureza - afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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