Para Tião Viana, se instituições não recuperarem imagem, Lula crescerá mais

Da Redação | 16/10/2007, 10h35

O primeiro compromisso do presidente interino do Senado, Tião Viana, nesta terça-feira (16), foi uma entrevista para a jornalista Cristina Lemos, que apresenta o programa Brasília ao Vivo, da Record News. Em uma longa conversa, Tião Viana respondeu a várias perguntas, entre elas uma questão sobre a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar a disputar o Palácio do Planalto em 2014.

- E aí, senador, Lula em 2014? - indagou Cristina Lemos.

- Lula está nadando de braçada na política brasileira. Do jeito que está, vamos afundar cada vez mais e Lula vai crescer cada vez mais - disse o senador.

Na opinião de Tião Viana, se as instituições que são referência nacional, como o Legislativo e o Judiciário, não recuperarem sua credibilidade e sua imagem pública, vai-se ampliando um vazio que não é bom para ninguém. Crítico do clima de paralisia da discussão parlamentar que predomina atualmente no Legislativo, Tião disse que, ao contrário do que ocorria nos anos 50, o Brasil vive uma fase amorfa no grande debate político.

Na mesma entrevista, o presidente interino criticou a negligência do Parlamento ao se omitir em legislar sobre temas como a fidelidade partidária, deixando para a Justiça a definição dessas normas. E, referindo-se à propensão do Judiciário para substituir princípios doutrinários por teses mais agradáveis à opinião pública, Tião Viana disse que, se as instituições não partirem para decisões mais elevadas, Lula continuará nadando de braçada.

Ao lembrar que ele é um dos mais leais amigos de Lula, Cristina Lemos perguntou a Tião Viana se ele presidirá o Congresso como um aliado do Palácio do Planalto.

- Na política, o mais importante é a clareza de posição; é não subestimar a inteligência da opinião pública. Acredito no poder Legislativo, sei da importância histórica dele. E a minha intenção é honrar cada minuto dessa interinidade. Não podemos ficar reféns de um Parlamento encolhido. O desequilíbrio no Estado republicano é ruim - respondeu Tião Viana.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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