Chefe do Cenipa diz que sistema de controle de vôos é seguro

Da Redação | 29/05/2007, 14h15

Uma das maiores preocupações do chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, nesta terça-feira (29), foi reafirmar à população que o sistema de controle de vôos no Brasil é seguro. De acordo com Kersul, esse sistema é um dos melhores do mundo - "confiável, seguro", disse, mas não infalível.

- No espaço aéreo controlado neste país, há cobertura de radar e comunicação, principalmente nas rotas mais usadas. Continuo a confiar no sistema. Eu e minha família voamos - garantiu.

O brigadeiro referiu-se à críticas de controladores de vôo, que afirmam que há "buracos negros" nos sistemas de radares brasileiros e que acontecem constantes falhas nas comunicações por rádio. Kersul afirmou que a "duplicidade de sinal" da qual os controladores reclamam é uma característica dos sistemas de radar de todo o mundo. Ele acredita que eventuais falhas de comunicação de rádio, outra reclamação dos controladores, são causadas por influências eletromagnéticas. O brigadeiro também reafirmou a qualidade do software usado para o controle de vôo.

Kersul apresentou algumas estatísticas sobre acidentes aéreos no país desde 1990 e informou que vem sendo registrado um decréscimo constante, apesar do aumento da frota e da malha aérea. Destacou que em 2003, 2004 e 2005 não foi registrado nenhum acidente aéreo com vítimas. A exceção foi 2006, devido ao acidente entre o Boeing da Gol e o jatinho da American ExcelAire, ocorrido em setembro.

- Isso demonstra que o modal de transporte aéreo se torna mais seguro e eficiente a cada ano. O que o usuário mais deseja é segurança e pontualidade, é saber que vai entrar em uma aeronave e chegará no destino - disse ainda.

O especialista destacou também que as causas de acidentes aéreos são sempre múltiplas e, estatisticamente, ocorrem principalmente por falha humana. Citou erro de julgamento do piloto, erros de planejamento ou problemas psicológicos como as falhas mais comuns.

- O homem é mais falível que os equipamentos - afirmou.

Kersul lembrou, porém, que as investigações da Aeronáutica destinam-se a prevenir futuros acidentes e que a determinação de culpa ou responsabilidade civil fica a cargo das investigações da polícia.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)