Simon quer "operação mãos limpas" no Brasil, dez anos depois da Itália

Da Redação | 03/05/2007, 20h47

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu nesta quinta-feira (3) um esforço nacional para recuperar a legitimidade das instituições brasileiras. Ao lembrar os dez anos da "operação mãos limpas", responsável por mudar a face da Itália, o parlamentar disse que a corrupção, agora também visível no Judiciário, ameaça o país.

Simon advertiu para a crescente desmoralização das leis, das normas e dos princípios éticos, processo conhecido como anomia. Ao ver os que estão no topo das instituições não cumprirem com suas responsabilidades, usando seus cargos em benefício próprio, os cidadãos passam a também a agir da forma como bem entendem.

O senador gaúcho citou como maus exemplos vindos de cima o envolvimento em crimes de juízes, promotores, deputados, empresários, advogados, procuradores e "colunáveis" de Rondônia, presos no ano passado. No Poder Executivo Federal e no Congresso Nacional foram mencionados os escândalos do mensalão e dos sanguessugas. E, no Judiciário Federal, o favorecimento de juízes - inclusive um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) - a casas de bingo.

- Eu não sei se fico amargurado com as prisões ou se me encho de esperança, quando vejo alcançados, pela Justiça, brasileiros de andares superiores da escala social - disse Simon.

O senador elogioua atuação da Polícia Federal e do Ministério Público, que têm sido firmes na defesa da lei, sem se curvarem "a pressões de qualquer natureza". O parlamentar peemedebista disse que os dois órgãos têm se empenhado na elucidação de crimes previdenciários, por meio dos quais aposentados e pensionistas vêem seus recursos "desviados para robustos e iluminados cofres de financiamentos de campanhas".

Diante desse quadro, a população tende a generalizar sua visão acerca dos governantes, o que tem levado a baixos índices de credibilidade do Congresso, onde apenas "uma meia dúzia" de parlamentares estaria a salvo do descrédito.

- Dessa generalização, ao risco de ruptura institucional pode ser outro passo. O que irá acontecer quando o tal "estado de anomia social" atingir um estágio incontrolável, se é que já não atingiu? - indagou o parlamentar.

Ele recomendou a releitura dos anais da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) que registram os depoimentos dos procuradores italianos que, em 1997, explicaram os procedimentos da operação Mãos Limpas, bem-sucedida em diminuir a corrupção e o crime na Itália.

- O Senado tem feito alguma coisa, mas uma lei aqui e outra ali não vão resolver essa situação. Precisamos reformular tudo - observou Simon, que foi comparado, em aparte, pelo senador Mão Santa (PMDB), a Diógenes, filósofo grego que andava como uma lanterna "procurando um homem de vergonha".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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