Fátima Cleide alerta para situação dos índios Cinta Larga em Rondônia

Da Redação | 19/04/2007, 18h18

Logo após homenagear os indígenas brasileiros, na tarde desta quinta-feira (19), por ocasião do Dia do Índio, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) leu em Plenário trecho de uma carta redigida pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e pelo Fórum das Organizações do Povo Paiter Suruí, a qual alerta para a situação dos índios Cinta Larga em Rondônia. Segundo o documento, esses indígenas vêm sendo ameaçados pela exploração ilegal de diamantes em suas terras - promovida por garimpeiros.

Segundo a parlamentar, há "uma tática genocida, a qual começa com o cerco das terras e da honra dos cintas largas, e que se espalha indistintamente sobre a vida e a sorte de índios e índias em todo o estado - e, pior, com a cumplicidade de autoridades do governo estadual de Rondônia".

- Há muitos anos sou testemunha da especulação criminosa e da disputa degradante pela ocupação dos territórios indígenas, visando à ávida dilapidação dos seus recursos naturais, ambientais e culturais - afirmou ela.

De acordo com a carta lida por Fátima Cleide, divulgada neste mês, várias reportagens sobre o assunto seriam tendenciosas, apresentando apenas a visão dos "não-índios". Além disso, os povos indígenas dos municípios de Cacoal, Espigão do Oeste e Pimenta Bueno estariam sendo vítimas do preconceito e da discriminação.

A senadora também mencionou denúncia - apresentada por integrantes do Acampamento Terra Livre, manifestação realizada em Brasília por ocasião do Dia do Índio - segundo a qual os índios de Rondônia estariam sendo presos arbitrariamente pelas polícias civil e militar do estado ao transitarem por cidades vizinhas às suas terras.

A região onde vivem os índios Cinta Larga, a Terra Indígena Roosevelt, tem sido palco de violentos conflitos devido à reserva de diamantes que há no local - considerada por alguns como a maior jazida do gênero no país. E a exploração ilegal realizada na região visa muitas vezes ao mercado internacional. Em 2004, 29 garimpeiros foram encontrados mortos nessa terra indígena após confronto com os cintas largas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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