Financiamento é um dos principais problemas da TV pública, diz diretor da TV Cultura

Da Redação | 07/08/2006, 19h15

Reside no financiamento - ou melhor, na falta dele - um dos principais problemas enfrentados pela televisão pública brasileira. E sua solução envolve, segundo Marco Antonio Coelho Filho, diretor de expansão da TV Cultura, o reordenamento das leis relativas ao setor. Marco Antonio foi um dos participantes da audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira (7) pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso.

- Coitada de uma nação que não possui uma TV pública forte. Coitado do Brasil - declarou ele durante a sessão.

Para o diretor da TV Cultura, outra grande razão para a "fraqueza da televisão pública brasileira" está no modo como esta surgiu, na década de 1960, durante a ditadura militar. Segundo ele, os militares acreditavam que a função da TV pública deveria ser a de suprir as deficiências educacionais do povo brasileiro.

- Mas a TV analógica não consegue dar aulas, cursos e palestras com a mesma competência que o professor o faz em sala de aula - disse ele, ressaltando que, "nas salas de aula a interação é possível, ao contrário do que ocorre com a TV analógica".

Marco Antônio afirmou que esse projeto - o de suprir deficiência educacionais - foi iniciado em 1967 com concessões dadas, na maioria dos casos, para governos estaduais. Mas ele frisou que esse projeto fracassou logo em seu início.

O diretor da TV Cultura destacou que há atualmente um abismo entre a TV pública e a TV comercial. E ressaltou que, "para resolver esse dilema macabro, em que quem faz TV para pobre é rico, enquanto quem faz TV para rico é pobre, para inverter isso, a TV pública brasileira precisa de um melhor financiamento".

Ao apontar para as diferenças entre as televisões pública e a comercial, Marco Antonio ressaltou que a primeira "tem como missão ajudar na formação crítica do homem para que ele exerça sua cidadania, enquanto a comercial busca o lucro".

TV digital

Outro assunto debatido pelo Conselho de Comunicação Social na tarde desta segunda-feira foi a implantação da TV digital no Brasil. Quem discorreu sobre o tema foi Fernando Bittencourt, que integra o conselho como "engenheiro com notórios conhecimentos na área de comunicação social".

Entre os pontos tratados por Bittencourt esteve o decreto 5.820/06, assinado pelo presidente da República no final de junho, o qual estabeleceu que a TV digital brasileira seguirá o padrão japonês. Bittencourt afirmou ainda que a transição da TV analógica para a digital deverá durar dez anos, período no qual os dois sistemas deverão coexistir no país.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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