Dirigente da Centrus admite perda de R$ 32 milhões no Banco Santos
Da Redação | 16/02/2006, 00h00
Ao depor na Sub-relatoria de Fundos de Pensão, da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, o diretor-financeiro da Centrus (Fundação Banco Central de Previdência Privada), Ricardo Monteiro de Castro Melo, admitiu que o fundo teve um prejuízo de R$ 32 milhões, por ocasião da intervenção do BC no Banco Santos, em novembro de 2004, por ser detentor de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) desse banco.
- É verdade, esses papéis simplesmente evaporaram, será impossível reavê-los -reconheceu.
Em sua defesa, Ricardo Castro Melo alegou que as fraudes nos balancetes do Banco Santos eram bem feitas, a ponto de não terem sido detectadas pelo Banco Central durante muito tempo. Ele disse, porém, que os investimentos de R$ 50 milhões da Centrus no Fundo Penfolds, também administrado pelo Banco Santos, não tiveram perdas, nem mesmo de rentabilidade, porque estavam lastreados em títulos públicos.
Depondo na qualidade de testemunha, portanto sob o compromisso de dizer a verdade, Ricardo Castro Melo confirmou ter feito os investimentos no Banco Santos nos meses de maio e julho de 2004, poucos meses antes da intervenção. Ele negou, porém, ter sido beneficiado por propinas pagas pelos dirigentes do banco para incentivar a compra de CDBs dessa instituição financeira.
O deputado Carlos Willian (PTC-MG) perguntou detalhes sobre a venda de parte de ações da Excelsa (Companhia de Energia do Espírito Santo), em operação de balcão, ao Banco Pontual, em 2001, que teria dado prejuízo de R$ 200 milhões à Centrus. Segundo Carlos Willian, há denúncias sobre o caso no Ministério Público, que estaria apurando a questão.
Para Ricardo Castro Melo, a operação deu lucro de R$ 40 milhões, tendo sido autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC) por estar em conformidade com as regras do mercado de ações na época.
O deputado decidiu pedir a quebra de sigilo de todas as pessoas e órgãos envolvidos na negociação, por entender que a denúncia do Ministério Público merece crédito. Ele também apresentou requerimento para que sejam ouvidos os presidentes da CVM e da Secretaria de Previdência Complementar à época da venda.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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