Palocci antecipa-se e apresenta à CPI justificação sobre viagem a Ribeirão Preto

Da Redação | 08/02/2006, 00h00

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), leu nesta quarta-feira (8) carta do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na qual reafirma que "utilizou os meios disponibilizados pelo PT" para fazer a viagem de ida e volta de Brasília para Ribeirão Preto, em 23 de janeiro de 2003, com a finalidade de comparecer a um evento político-partidário. Ele reconheceu que, durante recente depoimento à CPI, usou "inadvertidamente uma imprecisão terminológica", ao afirmar que a aeronave fora alugada pelo PT.

"Sequer conheço as condições e os detalhes da organização da viagem pelo partido", resumiu Palocci, ao garantir que não utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) e nem passagem custeada pelo governo federal, por se tratar de um evento partidário. Os senadores Tião Viana (AC) e Flávio Arns (PR), ambos do PT, deram como encerrado o episódio diante das explicações do ministro. A oposição, no entanto, por meio do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), insistiu na aprovação de um novo requerimento que solicita a Palocci a confirmação de outras declarações prestadas por ele à CPI.

O senador Magno Malta (PL-ES) criticou a posição de Antero, afirmando que se Palocci tiver de confirmar o seu depoimento, conforme deseja Antero, todos os outros depoentes que falaram à CPI também terão de fazer o mesmo.Para os senadores da base do governo, a exemplo de Flávio Arns, "o que a oposição deseja mesmo é colocar em maus lençóis o ministro Palocci".

O incidente, que forçou o ministro a manifestar-se oficialmente perante os membros da CPI, teve origem na reunião desta terça-feira (7), quando foi lida carta do empresário José Roberto Colnaghi na qual contesta declaração de Palocci prestada à CPI de que o PT teria pagado a viagem dele a Ribeirão Preto em um dos aviões de propriedade do empresário. Na carta, Colnaghi contradisse a versão apresentada por Palocci: apesar de confirmar a viagem, informou que o PT jamais desembolsou qualquer tipo de recurso para que o ministro fosse transportado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)