Ex-diretor da Prece atribui a fatores externos mau desempenho do fundo
Da Redação | 12/01/2006, 00h00
O economista Pedro José Mercador Mendes, ex-diretor financeiro da Prece, fundo de pensão dos funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), afirmou, em depoimento à CPI dos Correios, nesta quinta-feira (12), que o desempenho ruim do fundo em sua gestão (janeiro a agosto de 2002) se deveu a fatores externos.
- O atentado ao World Trade Center influenciou os resultados do último trimestre de 2001. O risco Brasil subiu, a cotação do dólar disparou, a bolsa caiu. Além disso, houve a disputa eleitoral em 2002. E é preciso considerar também que eu não fechei o ano - justificou ele.
O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator de Fundos de Pensão, explicou que, do ponto de vista financeiro, o ano de 2002 foi o pior da história da Prece. Levando-se em consideração a meta de lucratividade, o desempenho do fundo ficou cerca de 22% abaixo do previsto, o que teria gerado uma rentabilidade negativa de 30%.
Mendes disse que desconhece a informação de que a Prece comprou, ainda em 2002, Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Santos, instituição que faliu em setembro de 2005, deixando um rombo de R$ 2,2 bilhões. Segundo ACM Neto, há suspeitas de que a Prece teria provisionado R$ 11 milhões do banco.
Durante a gestão de Pedro Mendes, o administrador da carteira de investimentos da Prece era a Mellon Brascan. Quando ele deixou a diretoria, o fundo optou pelo Banco Santos, o que, para Mendes, foi uma decisão equivocada.
- Naquela época, o banco já não era bem visto no mercado, pois oferecia um risco razoável a qualquer carteira - observou.
O deputado ACM Neto quis saber como a Prece monitorava seus investimentos, o que, na linguagem do mercado, se chama de "política de compliency". Mendes explicou que isso ficava a cargo da administradora, que emitia relatórios periodicamente.
- Mas a Prece não tinha seu compliency próprio. É a mesma coisa que entregar o dinheiro ao gerente do banco e não querer saber o que ele faz com os recursos - comparou o parlamentar.
O ex-diretor contou que seu afastamento do fundo aconteceu por mudanças na administração da Cedae. Questionado pelo sub-relator sobre a possibilidade de essa decisão estar relacionada à ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Rio, Mendes respondeu que isso era provável.
STF
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu à Prece um habeas corpus impedindo a divulgação de dados sigilosos, o depoimento de Pedro Mendes, após a exposição inicial, passou a ser tomado a portas fechadas. Em seguida, seria ouvido Ricardo Afonso das Neves Leitão, também representante do fundo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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