Relator-adjunto diz que mensalão pode envolver mais recursos que os identificados

Da Redação | 19/12/2005, 00h00

O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), relator-adjunto da CPI dos Correios, afirmou, nesta segunda-feira (19), que a prestação de contas que o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) apresentará nesta quarta-feira (21) trará evidências de que o "mensalão" pode ser muito maior do que o que foi identificado até agora.

Para Paes, que não admite o discurso de que o "mensalão" não existiu, a prática consistiu numa série de pagamentos, feitos aos "amigos do governo", com uma certa regularidade, em datas próximas a votações importantes no Congresso.

- Parte dos pagamentos era feita no varejo, parte no atacado. Era uma espécie de caixa disponível para eventuais necessidades - disse ele.

Eduardo Paes adiantou que o relatório pretende explicar o "valerioduto" e consolidar as informações já apresentadas, de uma forma mais organizada. O documento tratará de origens, intermediação e destino. Sobre as origens, o relator-adjunto afirmou que há informações novas sobre Banco do Brasil e Visanet.

 Nova fase

Para o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-BA), membro da CPI dos Correios, a comissão entra, a partir da apresentação do relatório, numa nova fase, mais propositiva.

- Roubar o Estado, agora, vai ficar mais difícil, pois vamos apresentar propostas para reformular a estrutura dos órgãos reguladores do sistema financeiro. O Brasil vai se igualar a outros países, que enfrentam, isolam e superam a corrupção - declarou.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente do colegiado, confirmou que se discute a possibilidade apresentação de um projeto de lei, fruto da CPI, para fiscalização do sistema financeiro e diminuição da possibilidade de lavagem de dinheiro. Existiria um grupo de trabalho estudando o assunto.

Depoimentos

Foi adiada a continuação dos depoimentos de Iohannis Amerssonis, sócio da Brazilian Airlines Transportes Aéreos (Beta), que prestou serviços aos Correios, e de Ricardo Ramos Quirino, sócio da agência Grotera, que atuou junto ao Banco do Brasil, que estava prevista para esta terça-feira (20) na Sub-Relatoria de Contratos.

De outra parte, foram marcados para a quarta-feira (21), às 15h, também na Sub-Relatoria de Contratos, as oitivas de Giovanni Cérvolo, da agência FCB, e de ReginaldoReges Menezes Fernandes, funcionário da Skymaster. A CPI suspeita que Menezes Fernandes teria participado do envio para o exterior de recursos obtidos com o superfaturamento dos contratos entre a empresa e os Correios.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)