Heráclito diz que PT repete comportamento que antes criticava

Da Redação | 02/12/2005, 00h00

O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) registrou em Plenário, nesta sexta-feira (2), que os funcionários do PT estão em greve por não receberem seus salários, conforme informações divulgadas na imprensa. Para ele, o partido está agindo da mesma forma que costumava criticar no passado.

-O Partido dos Trabalhadores, que durante 20 anos, de maneira impiedosa, fustigou governos e prefeituras de pequenas cidades do interior do país, que colocou na porta dos Ministérios piquetes reivindicando, não só salários mais altos, mas também que fossem pagos em dia, dá hoje o mau exemplo ao país. O PT está engolindo tudo o que assacou contra os outros. Como será que os manifestantes do partido vão às manifestações, com bandeiras da CUT? - indagou Heráclito Fortes.

Em aparte, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que o pagamento dos funcionários tem de ser considerado prioridade número um. Ele afirmou que está solidário com os funcionários e, pela sua experiência como sindicalista em negociações trabalhistas, colocou-se à disposição como mediador entre os trabalhadores e o partido para chegarem a um acordo. Também disse considerar legítima a participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no processo de negociação.

Dirceu

Heráclito Fortes comentou também, em seu pronunciamento, que o PT não defendeu adequadamente o então deputado José Dirceu no processo de cassação a que foi submetido e que culminou com a perda do mandato do parlamentar paulista.

- Nunca vi nada tão cruel quanto o que o PT fez com Dirceu. O que me deixa triste é que Dirceu enfrentou a ditadura, conviveu com Guevara e Fidel e não foi cassado por ter envolvimento com nenhum deles, mas por estar envolvido com Delúbio e com Waldomiro. Tristeza não habita nesta casa petista: Dirceu é uma página virada. E agora, José? - perguntou Heráclito.

O líder da Minoria, senador José Jorge (PFL-PE), concordou com Heráclito e afirmou que "na realidade, José Dirceu foi cassado pelo seu próprio grupo, pois a oposição não teria votos suficientes para cassá-lo".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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