Renan: Afonso Arinos deve servir de inspiração e modelo para todos
Da Redação | 23/11/2005, 00h00
Ao discursar na abertura da sessão especial para homenagear o centenário do nascimento do político e jurista Afonso Arinos de Melo Franco, nesta quarta-feira (23), o presidente do Senado, Renan Calheiros, ressaltou o exemplo de homem público que ele sempre representou. "Em tempos conturbados como os que vive o Brasil, relembrar Afonso Arinos deve servir de inspiração e modelo para todos nós", disse Renan.
- Reler os mais de 60 livros, ensaios e discursos de Afonso Arinos será uma forma de repensar o Brasil, com base em nossa história recente, para avaliar nossos erros e nossos acertos - ressaltou.
Para Renan, trata-se de uma feliz coincidência o fato de o Senado celebrar o centenário de nascimento do jurista pouco depois de a Casa ter aprovado o Estatuto da Igualdade Racial. Para ele, a associação é inevitável uma vez que foi Afonso Arinos o autor, em 1951, da primeira lei contra o racismo aprovada no mundo inteiro, em uma época em que muitos países tinham legislações fortemente restritivas à igualdade racial. E, na opinião de Renan, a entrada em vigor do Estatuto vai coroar a superação da discriminação racial no Brasil, ajudando a corrigir uma dívida histórica da sociedade para com os brasileiros negros e mestiços, por ter sido o último país a abolir a escravidão.
Humanista
O presidente do Senado relembrou que Afonso Arinos era um aristocrata de berço, no sentido mais nobre e positivo da palavra, pois foi sempre um inimigo dos preconceitos, das injustiças - um humanista e defensor do Estado de Direito. Disse ainda que, como ministro das Relações Exteriores do presidente Jânio Quadros, em 1961, o senador falecido iniciou uma política externa independente, inovadora, que condenou o colonialismo europeu na Ásia e na África. Em plena Guerra Fria, destacou Renan, Arinos conseguia ter uma visão diferente e moderna do mundo, sem maniqueísmos.
Renan Calheiros lembrou também o momento em que Arinos voltou ao Senado, com a renúncia de Jânio - ocasião em que teve papel decisivo na emenda parlamentarista que permitiu a posse de João Goulart.
- Um dos fundadores da Arena, ele afastou-se completamente da política quando percebeu que o regime militar tinha abandonado qualquer compromisso com a redemocratização e rumava sem disfarces para a ditadura. Muito mais tarde, na Assembléia Nacional Constituinte de 1987, era um referencial para todos os políticos pela bagagem intelectual, pela experiência e tudo que representava como homem público de alto nível - ressaltou o presidente do Senado.
Laura Fonseca/Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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