Seminário destacará importância e atualidade de obra de Celso Furtado

Da Redação | 16/11/2005, 00h00

Economista que dedicou sua vida à compreensão dos determinantes e conseqüências sociais do subdesenvolvimento, Celso Furtado terá sua obra destacada em seminário internacional no Senado, entre 24 e 25 de novembro. O evento será aberto às 9h do dia 24, no Auditório Petrônio Portella, com as presenças dos presidentes da Casa, senador Renan Calheiros, e da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

O seminário marca a passagem do primeiro ano da morte do economista, ocorrida em 20 de novembro do ano passado, quando ele contava 84 anos. Sob o tema "A Atualidade do Pensamento de Celso Furtado sobre o Desenvolvimento", o evento é uma iniciativa da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida pelo senador Luiz Otávio (PMDB-PA), em conjunto com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Furtado foi um dos formuladores da chamada Teoria do Subdesenvolvimento. Ao lado do colega argentino Raul Prebisch, ele apresenta o problema como decorrente das relações assimétricas de poder entre os países centrais e periféricos. Furtado também questionou a interpretação de que a saída para os subdesenvolvidos estaria limitada à exploração de sua "vocação agrícola". Propôs, como solução, o planejamento, os incentivos e o investimento estatal direto em infra-estrutura e na industrialização, inclusive para reverter os desequilíbrios regionais dentro do próprio país.

Em resumo, esse é o cerne das idéias do economista - incansavelmente atualizadas por Furtado até pouco tempo antes de sua morte - que o seminário pretende colocar em debate. Além da viúva Rosa Freire de Aguiar Furtado, vão participar da solenidade de abertura os ministros Ciro Gomes, da Integração Nacional, e Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

São também presenças confirmadas as do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, e de José Luiz Machinea, secretário executivo da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) - organismo vinculado à ONU onde Furtado e Prebisch atuaram, experiência fundamental para os estudos desenvolvidos posteriormente por ambos sobre o subdesenvolvimento na América Latina.

Furtado, entre outras destacadas funções no governo brasileiro, idealizou e dirigiu em seu primeiro momento a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Foi também o primeiro titular do Ministério do Planejamento, durante o governo João Goulart, em 1962.

Após o golpe militar de 1964, o economista nascido na Paraíba teve seus direitos políticos cassados e partiu para exílio. Nesse período, ele se dedicou a atividades acadêmicas nos Estados Unidos e na França. Com a redemocratização, foi designado embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia e depois Ministro da Cultura no governo Itamar Franco.

Gorette Brandão /Agência Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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