Carla Cico afirma que fundos de pensão prejudicaram Brasil Telecom

Da Redação | 16/11/2005, 00h00

A ex-presidente da Brasil Telecom Carla Cico acusou a Telecom Itália e os fundos de pensão de dificultarem o desenvolvimento da Brasil Telecom, por se oporem a inovações como a possibilidade de oferecer o serviço de telefonia celular. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios nesta quarta-feira (16), confirmou a contratação da empresa Kroll para investigar a Telecom Itália, já que as companhias se envolveram em uma disputa judicial. Ela disse ainda que a direção do Citigroup, ligado aos fundos de pensão e à Telecom Itália, sabia dessa contratação, ao contrário do que seus dirigentes afirmaram em depoimento anterior à CPI.

Os contratos com as empresas de Marcos Valério, segundo Carla, em 2003 e 2004 foram "esporádicos", só quando uma campanha mais urgente era necessária. Em 2005, eram do tipo "guarda-chuva", ou seja, não havia garantia de que o valor total seria efetivamente gasto. Eles apenas cobririam as necessidades que surgissem.

Carla Cico confirmou o que disse o banqueiro Daniel Dantas à CPI, que a aquisição da Companhia Riograndense de Telefonia (CRT) foi superfaturada. Mas alertou não ter notícias de que o negócio, feito com a Telefonica, tivesse sido realizado por Dantas a partir de pressões dos fundos de pensão. Eles foram acusados por Carla de terem "posicionamento não-coerente".

Disputa

A disputa acionária envolvendo o Opportunity, a Telecom Itália e os fundos de pensão vem desde 2001. Os três eram integrantes de um fundo para a aquisição de empresas de telefonia durante a privatização, ocorrida no governo Fernando Henrique. O Opportunity era controlador da Brasil Telecom, que hoje é comandada pela Telecom Itália e pelos fundos de pensão, com controle acionário dividido exatamente ao meio (50% a 50%), de acordo com a ex-dirigente. Ela criticou essa divisão.

- Não faria esse acordo de 50 a 50 nem com meu irmão - opinou, acrescentando que isso enfraquece a Brasil Telecom, já que as decisões dependem do Conselho de Administração e a empresa fica exposta sem uma diretoria isenta.

No depoimento, Carla insinuou que o governo influenciou na disputa: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atrasou por quase dois anos um empréstimo, ao seu ver, sem justificativa, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), teria se tornado "menos técnica". As duas ações teriam prejudicado a empresa.

Acusada de ter sofrido cooptação, Carla Cico alegou ter trocado de empresa - Telecom Itália pelo Opportunity - por causa das mudanças na diretoria da Telecom Itália que a prejudicaram. Também negou que tenha prejudicado realização de auditorias internas na Brasil Telecom, já que a companhia é "completamente aberta". A ex-dirigente não se manifestou a respeito de reportagens sobre as investigações da Kroll.

Elina Rodrigues/Agência Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)