Arthur Virgilio nega acordo entre PSDB e PT para evitar depoimentos

Da Redação | 10/11/2005, 00h00

Em discurso na sessão deliberativa desta quinta-feira (10), o senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) rechaçoua acusação publicada no jornal Folha de S. Paulo de que o PSDB teria feito acordo com o PT para "abafar depoimentos incômodos", classificando a informação de inverdade e negando qualquer possibilidade de "acordão".

A matéria da Folha menciona uma suposta troca de cancelamentos de depoimentos, de interesse dos dois partidos. Do lado petista, o depoimento efetivamente cancelado foi de Soraya Garcia, ex-assessora financeira do PT em Londrina. Segundo informou o jornal, ela saberia da entrega de R$ 300 mil a Augusto Dias Júnior, diretor-financeiro da campanha à reeleição do prefeito Nedson Micheleti, pelo ex-ministro José Dirceu, em 2004. Do lado do PSDB, o depoimento cancelado seria o do doleiro Nilton Antônio Monteiro, que teria documentos comprobatórios da existência de contabilidade paralela na campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 1998.

Arthur Virgílio disse ter sido informado pelo presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), que Soraya Garcia irá depor. Vírgilio foi aparteado pelo próprio Delcídio que considerou importante o pronunciamento para esclarecer os fatos. Segundo o parlamentar, o adiamento da oitiva de Soraya teria ocorrido somente porque a comissão dependia de documento a ser entregue pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, contrariando declarações do relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB- PR) referentes à Visanet. Delcídio confirmou que será remarcado o depoimento de Soraya Garcia e dos outros convocados para a audiência da última quarta-feira (9). O senador foi enfático, ao dizer que não se dobraria "a pedidos do presidente Lula, de seu secretário de gabinete ou de quem quer que fosse".

Arthur Virgílio questionou ainda a atitude do atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, de, em nome do partido, ter entrado com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PSDB, pedindo o cancelamento de seu Fundo Partidário. O que está sendo questionado é a legitimidade das contas de campanha de José Serra à Prefeitura de São Paulo.

Em aparte, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que, além do espetáculo da corrupção, Lula estaria promovendo o "espetáculo do cinismo" em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, negando as evidências de corrupção em seu governo. Segundo Jereissati, a atual manobra do PT visaria, mais uma vez,desviar o foco das denúncias para o PSDB, numa tentativa de fuga a sua responsabilidade diante dos graves fatos ocorridos recentemente.

(Cristina Vidigal)

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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