Anderson Adauto confessa que recebeu dinheiro de Delúbio Soares
Da Redação | 09/11/2005, 00h00
Em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Mensalão nesta quarta-feira (9), o ex-ministro dos Transportes e atual prefeito da cidade mineira de Uberaba, Anderson Adauto (PL) afirmou que recebeu R$ 410 mil de Delúbio Soares no período de maio de 2003 a janeiro de 2004, quando ainda integrava o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele negou, porém, que o valor total do repasse tenha sido de R$ 1 milhão, conforme declarações prestadas anteriormente à comissão pelo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares e pelo publicitário Marcos Valério.
O dinheiro teria sido repassado por Delúbio ao irmão do ex-ministro, Edson Pereira de Almeida, e ao então chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, José Luís Alves, conforme explicou Anderson Adauto. Segundo ele, a verba foi usada para saldar"dívidas da campanha" a deputado federal de 2002 e para pagar "contas telefônicas, empréstimos e compromissos com companheiros em diversas cidades".
Ex-deputado federal e deputado estadual por quatro legislaturas, Anderson Adauto afirmou que desconhecia a existência de pagamento de mensalão a parlamentares e que tomou conhecimento de denúncias nesse sentido por meio da imprensa. Ele também explicou que recorreu a Delúbio Soares na condição de ministro por uma "opção pessoal".
- Do ponto de vista ético e moral estou tranqüilo. Poderia ter resolvido meus problemas de campanha com os fornecedores do ministério, o meu cargo de ministro permitiria isso, tranqüilamente. Os problemas aconteceram, mas eu não tinha conhecimento de nada disso - afirmou o ex-ministro dos Transportes.
Para o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS) e para a vice-relatora da comissão, deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), Anderson Adauto agiu ilegalmente e cometeu crime de corrupção passiva ao receber recursos não contabilizados de Delúbio Soares na condição de ministro dos Transportes.(Paulo Vasco)
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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