Simon: campanha de 2006 "terá a mesma cara de pau", com todos exigindo ética

Da Redação | 01/11/2005, 00h00

Depois de ver nos últimos dias programas de TV de partidos políticos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse acreditar que a campanha eleitoral de 2006 "terá a mesma cara de pau" das últimas eleições, comos partidos exigindo ética na política, fazendo promessas que não podem ser cumpridas e se dizendo o mais exigente e honesto do país. Simon disse ter ficado impressionado com o programa do PT, por dar a impressão de queas investigações dasCPIs do Congresso nada têm a ver com o partido.

- Eu sempre tive uma certa inveja do PT, por causa de sua defesa da ética, pela militância, pelo que defendia. Agora, depois de tudo, o que é o PT hoje? O PT que sobrou defende o quê? Li hoje que o arrocho fiscal do governo é tão forte que já fizeram até agora toda a economia prevista para o ano. Eu, que passei anos falando mal do Delfim Netto, agora acho que ele é quase um socialista perto dos que estão fazendo na economia - desabafou o senador.

Simon disse que o presidente Luiz Inácio Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso "são iguais", pois "agem do mesmo modo atrás da reeleição". Lembrou que Fernando Henrique "chegou a um momento em que só pensava na reeleição", o que agora também ocorre com Lula.

- Todos só pensam na eleição. Não acontece nada no país e o Congresso, por sua vez, também nada decide - lamentou o senador, defendendo a realização de um plebiscito para saber se os brasileiros ainda querem a reeleição.

Simon disse ainda que não tem comparecido às reuniões das CPIsporque "lá todos mentem com a cara mais lavada" e os depoentes chegam ao ponto de conseguir no Supremo Tribunal Federal hábeas corpus "para poder mentir sem correr o risco de prisão".

O senador mencionou ainda a denúncia de que o governo de Cuba teria enviado dinheiro para a campanha eleitoral do PT, em 2002, dizendo que, "com tanta coisa para investigar nas CPIs, do atual governo e do governo passado", já teme um "acórdão".

- Claro que vão cassar o ex-ministro [José] Dirceu e os outros que receberam dinheiro. Mas tenho medo que decidam: 'Você tira o filho do presidente e eu tiro este aqui. Você não entra aqui que eu não entro lá" - disse Simon.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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