Hospitais credenciados pelo SUS querem mais verbas para a saúde em 2006
Da Redação | 01/11/2005, 00h00
Com o desafio de acomodar gastos adicionais estimados em R$ 15 bilhões na proposta orçamentária para 2006, o relator do projeto, deputado Carlito Merss (PT-SC), recebeu nesta terça-feira (1º) pleito para incluir uma despesa extra de R$ 4,7 bilhões para a área da saúde. A reivindicação partiu dos hospitais privados e filantrópicos que prestam serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS), que defendem o reforço das dotações para atendimento hospitalar na rede de média e alta complexidade, na atenção primária à saúde e para a compra de medicamentos excepcionais (tratamento de doentes crônicos).
Estiveram com Merss representante da Confederação Nacional de Saúde (CNS), Olímpio Correia, e o superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), José Luiz Spingolan. Eles saíram do encontro com o relator, na Câmara dos Deputados, com a promessa de que o pedido será analisado na próxima semana em reunião com o Ministério da Saúde e o deputado Cláudio Cajado (PFL-BA), a quem cabe fechar o relatório setorial da área de saúde do orçamento do próximo ano.
Os representantes da rede prestadora de serviços foram ao encontro de Merss acompanhados de membros da Frente Parlamentar da Saúde, que atua no Congresso em favor de pleitos dessa área setorial. Ao final, o relator teve o cuidado de antecipar que já elegeu algumas prioridades na destinação dos recursos extras que forem identificados a partir da reestimativa das receitas vinculadas ao orçamento. Citou um reajuste acima do previsto pelo Executivo para algumas categorias de servidores, aumento maior para o salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda.
Pressão
Merss observou, ainda, que é muito forte a pressão dos governadores estaduais para que sejam reservados recursos para compensar isenções tributárias concedidas aos exportadores (Lei Kandir). O relator já anunciou que pretende alocar R$ 4,7 bilhão para essa despesa no ano que vem, mas salientou no encontro que os estados estão reivindicando R$ 10 bilhões.
- O fogo é pesado - afirmou Merss, alertando que todas as demais necessidades deixaram de ser atendidas se o pleito dos governadores for contemplado em sua totalidade.
Somente para as ações para o segmento hospitalar de média e alta complexidade, o pedido de recursos adicionais para 2006 é de R$ 3,44 bilhões, quando a proposta do Executivo prevê R$ 16,3 bilhões - de um orçamento total de R$ 41 bilhões para a saúde. De acordo com os representantes do setor, os hospitais conveniados ao SUS enfrentam quadro de extrema gravidade, porque a remuneração dos serviços é insuficiente para cobrir os custos, o que resulta em queda na qualidade do entendimento e dos investimentos. Os filantrópicos já estariam acumulando dívidas de R$ 1,8 bilhão junto ao sistema bancário.
- Falta quem entenda que já estamos à beira do caos, como aconteceu com a saúde no Rio de Janeiro - afirmou Correia, da CNS.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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