Suassuna denuncia farsa da algaroba na Paraíba
Da Redação | 26/10/2005, 00h00
O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) protestou, nesta quarta-feira (26), contra a falta de sensibilidade do poder público em lidar com o drama dos fazendeiros da Paraíba que, há 20 anos, foram, segundo ele, enganos pelo então Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) - hoje Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - com o "milagre da algaroba".
A algaroba, contou o senador, planta até então desconhecida, foi desenvolvida pelo próprio IBDF e apresentada pelo instituto aos fazendeiros como uma alternativa viável e lucrativa para promover o reflorestamento. Ela poderia produzir, em um hectare, cem árvores e, em uma árvore, cinco quilos de vagens. Além das vantagens da utilização da madeira, as vagens, de alto teor alimentício, poderiam ser usadas para alimentar o gado.
Os produtores rurais interessados, no entanto, precisariam fazer um investimento inicial. Preparavam o solo e plantavam por sua conta e, só depois, após a visita de um técnico do IBDF, recebiam a primeira parcela do programa de reflorestamento. A segunda parcela, no entanto, nunca foi paga.
Vinte anos se passaram. A árvore oferecida como milagre, prosseguiu o senador, não crescia, não dava vagens. Além disso, a região teve 20 anos de seca, e muitas dessas árvores morreram. Para piorar, os criadores que usaram as vagens para alimentar o gado tiveram uma surpresa desoladora: com pouco tempo comendo a vagem triturada de algaroba, o animal perdia a coordenação motora e a língua ficava dura, o que deu origem à doença chamada de "língua de pau".
Na Paraíba, hoje, há 60 fazendeiros lutando na Justiça para reaver seus prejuízos. Suassuna contou que os recebeu, nesta quarta-feira, em seu gabinete.
- Essas pessoas estão economicamente mortas, o que é uma tremenda injustiça - lamentou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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