Dono da Novadata nega favorecimento em licitações nos Correios

Da Redação | 18/10/2005, 00h00

Em depoimento na sub-relatoria de Contratos da CPI dos Correios, na noite desta terça-feira (21), o sócio majoritário e presidente da Novadata Informática, Mauro Dutra, negou ter sido favorecido em licitações nos Correios. O empresário, que é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou números de faturamento da Novadata nos últimos anos para rebater as acusações de que teria se beneficiado de relações privilegiadas para vencer concorrências na estatal. O valor total dos contratos para a venda de equipamentos aos Correios caiu de R$ 63,7 milhões em 2002 para R$ 10 milhões no primeiro ano do governo Lula.

Segundo Dutra, a Novadata "não tinha nenhum tipo de canal privilegiado".Ele também destacou a transparência dos processos de licitação de que a empresa disputou nos Correios.

- Todas as concorrências foram com pregão presencial, com intensa participação de empresas conhecidas. No pregão, o menor lance ganha a concorrência - afirmou.

Em 2002, a Novadata, empresa de Brasília líder nacional na venda de computadores para o governo, venceu a licitação, no valor de R$ 63 milhões, para fornecer equipamentos e o sistema do Banco Postal. A senadora Heloísa Helena, autora do requerimento de convocação do dono da Novadata, questionou o pedido de reequilíbrio econômico-financeiro formulado pela empresa aos Correios, de R$ 11 milhões. A estatal pagou metade desse valor. A Novadata tenta obter os outros R$ 5,5 milhões na Justiça.

A justificativa dada por Dutra para requerer a revisão dos valores do contrato com os Correios foi a crise cambial de 2002. O dólar havia chegado a R$ 3,80, ao passo que a proposta da Novadata, segundo ele, levava em consideração a cotação de R$ 2,87.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)