Lucas Furtado e deputado Greenhalgh serão ouvidos nesta quinta-feira
Da Redação | 28/09/2005, 00h00
Em virtude da eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados, a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos cancelou a reunião que estava marcada para esta quarta-feira (28) e marcou novos depoimentos para quinta-feira (29). A partir das 11h, deverão ser ouvidos o procurador-geral da República junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, e o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
O procurador Lucas Furtado foi convocado para prestar depoimento por ser o autor de uma série de estudos e pareceres técnicos que versam sobre os contratos celebrados ao longo dos últimos anos entre a multinacional Gtech e a Caixa Econômica Federal, destinados a gerenciar todo o sistema de informática e de tecnologia das loterias federais.
Tais contratos bilaterais, feitos sem licitação, vinham sendo renovados desde 1997 - ano em que a Gtech se instalou no país - e abrangiam praticamente todos os setores da Superintendência de Jogos Eletrônicos da Caixa, desde a apuração dos sorteios até à confecção de talões dos prognósticos de jogos, como a Mega-Sena e a Quina.
Já o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que é advogado, foi indicado por seu partido para acompanhar as investigações sobre a morte do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, assassinado com oito tiros a queima-roupa, em 2002. O inquérito policial concluiu que o assassinato do ex-prefeito não teria sido feito "por encomenda", configurando-se crime político ou administrativo, mas seria crime de seqüestro comum ou de extorsão seguida de morte. Os dois requerimentos de convocação são de autoria do senador Tião Viana (PT-AC).
Palocci
Na próxima terça-feira (4), a partir das 11h, a CPI dos Bingos volta a se reunir. Na pauta, a votação de uma série de requerimentos, entre os quais o de autoria do senador Geraldo Mesquita Júnior (PSOL-AC) que convoca para depor o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O relator da CPI, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), em entrevista à Agência Senado, admitiu, entretanto, que a votação do requerimento de convocação do ministro "poderia esperar mais um pouco".
Geraldo Mesquita, no entanto, não abre mão da convocação de Palocci e defende o depoimento do ministro pelo fato de que, em quase todos os depoimentos prestados à CPI, seu nome foi citado quando são abordados temas ligados à corrupção no município de Ribeirão Preto na época em que Palocci era prefeito da cidade pela segunda vez (2001/2002). As acusações dizem respeito à formação de "caixa 2" para as campanhas eleitorais do PT, com recebimento, pela prefeitura, de propina paga pela empresa de coleta de lixo Leão Leão.
O requerimento de Mesquita foi apresentado há mais de um mês, mas não entrou na pauta de votação uma vez que tanto os parlamentares da base do governo quanto alguns da própria oposição entendem que a economia brasileira está equilibrada e que uma possível convocação de Palocci poderia causar sérios problemas ao setor.
Na mesma reunião, deverão ser votados dois requerimentos considerados polêmicos. Um deles, do líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), propõe acareação entre os irmãos do ex-prefeito de Santo André, João Francisco e Bruno Daniel, com o atual chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Na época, Carvalho trabalhava na prefeitura e foi acusado por João Francisco de abastecer a campanha presidencial com recursos oriundos de esquemas de corrupção.
O outro requerimento, do senador Tião Viana, convoca para depor os envolvidos na chamada "máfia do apito", com destaque para o árbitro de futebol Edílson Pereira dos Santos e empresário ligado a jogos de bingo, Nagib Fayad - o Gibão.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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