Comitiva dos EUA vem ao Congresso tratar da morte de Dorothy Stang
Da Redação | 27/09/2005, 00h00
A comitiva norte-americana que acompanha as investigações sobre a morte de Dorothy Stang reuniu-se, nesta terça-feira (27), com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A missionária foi assassinada em fevereiro deste ano, vítima dos conflitos de terras no Pará - estado com o maior índice nacional de mortes violentas no campo. O irmão da missionária, David Stang, integra o grupo.
A senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) participou do encontro e afirmou que "a impunidade é uma das marcas do país e, especialmente, dos conflitos de terras no Pará". A parlamentar acusou ainda a polícia paraense de estar a serviço da bandidagem e dos grileiros de terra.
Ao denunciar a suposta cumplicidade entre policiais e grileiros, Ana Júlia comentou a prisão recente de dois trabalhadores rurais por policiais do Pará que estariam, na ocasião, usando veículo de Luiz Ungaratti, um dos principais suspeitos de ser o mandante da morte de Dorothy Stang.
O advogado Brent Rushforth, que também integra a comitiva norte-americana, revelou que os responsáveis pelas investigações contaram ao seu grupo que há 25 testemunhas no caso, mas que apenas uma está sob proteção policial.
- Após ouvirmos denúncias como essa apresentada pela senadora, entendemos porque a maioria das testemunhas não quer proteção policial. Possivelmente essas pessoas vêem a polícia local como inimiga - disse Rushforth, defendendo a proteção das testemunhas pela Polícia Federal.
A senadora Ana Júlia lamentou que a responsabilidade pelo caso não tenha sido transferida do âmbito estadual para o federal. A mesma demanda foi manifestada pelo deputado federal João Alfredo (PT-CE), relator da comissão parlamentar mista de inquérito que investiga os conflitos de terras no país - a CPI da Terra. A transferência seria necessária, segundo ela, porque "o poder público estadual mantém relações promíscuas com os grileiros".
Outra crítica da petista está relacionada à reforma agrária. Segundo ela, "a lentidão da reforma tem contribuído para a violência provocada pelos conflitos de terras".
- Faço aqui uma cobrança inclusive ao governo federal, que vem implementando a reforma agrária, mas de forma lenta. O contingenciamento de recursos por parte do Ministério da Fazenda tem sido um entrave à reforma - protestou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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