Comissão poderá investigar "máfia do apito"

Da Redação | 26/09/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos poderá entrar na investigação da chamada "máfia do apito" - responsável pela manipulação de resultados de partidas de futebol dos campeonatos Brasileiro e Paulista. O relator da CPI, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), classificou nesta segunda-feira (26) como "graves" as denúncias divulgadas no último final de semana e informou à Agência Senado que entrará em contato com o Ministério Público de São Paulo para obter informações mais detalhadas sobre a fraude. Somente após essa conversa, adiantou o senador, é que a CPI poderá definir uma estratégia para aprofundar as investigações, se for o caso.

O esquema da quadrilha era simples e funcionava da seguinte maneira: após o acerto do resultado do jogo com o árbitro da partida, a quadrilha apostava pesado em dois sites de jogos de azar na Internet que oferecem loterias eletrônicas de forma ilegal. Com lucro garantido, a estimativa é que os fraudadores ganharam mais de R$1 milhão nos últimos seis meses.

A quadrilha - composta por grupos de empresários e donos de casas de jogos de bingo em Piracicaba (SP) e na capital paulista - foi desbaratada no último final de semana, após meses de investigação comandada pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal.

Entre os envolvidos, estão o juiz de futebol da Fifa Edílson Pereira de Carvalho, que já se encontra preso e que, de acordo com as investigações, chegava a cobrar propina no valor de R$ 15 mil por "jogo vendido", e o empresário Nagib Fayad , um dos principais mentores do crime.

                                                Agenda

Nesta terça-feira (27), a CPI dos Bingos colhe depoimentos do superintendente do Serpro, Donizete de Carvalho Rosa, e do ex-gerente financeiro da Vilimpress, Indústria e Comércio Gráficos Luciano Maglia. Essa empresa teria prestado serviços para o PT na campanha eleitoral de 2002.

Na quarta-feira (28), depõe o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Na época do assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002, Greenhalgh - que é advogado - foi indicado pelo PT para acompanhar todo o inquérito. Também na quarta-feira, presta depoimento Wladimir Poleto, que por diversas vezes manteve contato telefônico com Rogério Buratti - acusado por ex-diretores da empresa Gtech de ter exigido propina da empresa no  valor de R$ 6 milhões  para a renovação de contrato entre a multinacional e a Caixa Econômica Federal, em abril de 2003. Todos os depoimentos estão marcados para as 11h.


Agripino propõe acareação entre irmãos de Celso Daniel e Gilberto Carvalho na CPI dos Bingos

                                            

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)