Relações políticas e históricas Brasil-Áustria (*)
Da Redação | 19/09/2005, 00h00
As relações entre o Brasil e a Áustria envolvem laços históricos que têm um significado muito especial e incomum no nosso relacionamento com outros países. De fato, o casamento (celebrado por procuração na "Augustiner Kirche" em Viena, em 13 de maio de 1817) da arquiduquesa Leopoldina, filha do imperador Francisco I da Áustria, com o herdeiro do trono português e futuro primeiro imperador do Brasil constituiu um evento de particular importância à época, cujos efeitos políticos e culturais para o Brasil foram de grande expressão.
A proclamação da Independência em 7 de setembro de 1822, apoiada e defendida pela própria imperatriz, deu margem a que o governo da Áustria oferecesse seus bons ofícios para negociar o reconhecimento da independência brasileira por Portugal. Esse trabalho acabou sendo desenvolvido pela Grã-Bretanha, mas a simpatia de uma potência européia da maior envergadura, como o Império Austríaco (num ambiente europeu dominado pela Santa Aliança, nascida do Congresso de Viena e das concepções do Chanceler Metternich), favoreceu a aceitação mais ágil do novo estado brasileiro entre as demais nações européias. Em 27 de dezembro de 1825, a Áustria reconheceu a nossa independência, por ocasião de uma recepção oficial em homenagem ao ministro plenipotenciário Teles da Silva, Visconde de Resende.
Durante a 2ª Guerra, o Brasil acolheu um dos mais conceituados escritores austríacos, Stefan Zweig, e a sua mulher, que fugiram da Áustria por conta da perseguição nazista.
Atualmente, o Brasil abriga uma comunidade austríaca de aproximadamente 20 mil pessoas, com colônias já antigas, estabelecidas no Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná.
Se é verdade que as relações entre o Brasil e a Áustria são historicamente de excelência, desde o início dos anos noventa, por circunstâncias diversas, não se registram visitas mútuas de altas autoridades dos dois países. Nesse contexto, a visita do presidente Heinz Fischer ao Brasil, a primeira de um chefe de estado austríaco a país da América Latina, ocorrida nesta segunda-feira (19), reveste-se de especial importância.
Aguarda-se que a visita renda dividendos econômicos e políticos. Nesse último aspecto, a visita representa a retomada do diálogo bilateral e pode conduzir à convergência em questões regionais e internacionais.
(*) Fonte: Itamaraty
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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