Câmara cassa mandato de Roberto Jefferson

Da Redação | 14/09/2005, 00h00

A Câmara dos Deputados cassou nesta quarta-feira (14), em votação secreta, por 313 votos contra 156, o mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), 120 dias depois que ele denunciou, numa entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que deputados do PP e do PL recebiam "mensalão" para votar com o governo. Além de perder o mandato, Roberto Jefferson tem seus direitos políticos suspensos por oito anos. A votação foi dirigida pelo vice-presidente da Câmara, Thomaz Nono (PFL-AL), no lugar do presidente Severino Cavalcanti. Houve 13 abstenções, 5 votos brancos e dois nulos.

O relator do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), concluiu que ele não provou que os parlamentares dos dois partidos haviam recebido dinheiro. O relator, no entanto, reconheceu a importância das declarações de Roberto Jefferson para a descoberta de casos de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e deputados. Isso, no entendimento do relator, não exime Roberto Jefferson dos excessos e abusos da inviolabilidade do mandato parlamentar, os quais, a seu ver, atingiram a honra e a imagem da Câmara.

Foi uma longa sessão, de quase sete horas, com a presença de mais de 90% dos 513 deputados federais, quando dois advogados do deputado puderam ocupar a tribuna para defendê-lo, logo depois da leitura do parecer do relator que recomendou a cassação do mandato. Dezenas de deputados ocuparam a tribuna, para defender Roberto Jefferson ou recomendar a cassação. As galerias não encheram de partidários como se esperava - houve aplausos algumas vezes.

 A sessão teve seu momento de destaque quanto Roberto Jefferson subiu à tribuna para se defender. Ele atacou mais uma vez o deputado e ex-ministro José Dirceu e o comando do PT, não poupando com ironias nem mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que o Congresso "está se ajoelhando" ante o Poder Executivo, principalmente por causa do excesso de medidas provisórias.

- Este é o governo mais corrupto que vi em meus 23 anos como deputado. O Zé Dirceu tratou a Câmara como um prostíbulo (...) E a turma que forneceu o dinheiro vai ficar de fora? Tem ministro que recebeu mensalão (...) Foi de lá do Planalto que partiu a corrupção - acusou Roberto Jefferson.

Roberto Jefferson sustentou ainda que não tira "uma vírgula" do que disse até hoje sobre corrupção e criticou a política social do governo Lula e observando que, na economia, o governo do PT vem fazendo o que fez o governo do PSDB. Ele fez galhofa com o depoimento de José Genoíno, ex-presidente do PT, à CPI do Mensalão, na terça-feira (13), dizendo que nunca viu "tanta mentira".

- Para mim, o Lula é o Genoíno do Planalto. Não sabe o que lê, o que assina, o que faz. Depositou nas mãos erradas a confiança que o povo brasileiro depositou nele - disse.

Roberto Jefferson disse que não acusava o presidente Lula de desonestidade, mas afirmou que ele é "preguiçoso" e "malandro", e que "gosta é de passear de avião". Para o deputado, Lula foi omisso e, ao final, recomendou que a investigação das CPIs chegasse ao Palácio do Planalto. E encerrou:

- Tirei a roupa do rei. Mostrei ao Brasil o que é o governo Lula. Mostrei ao Brasil quem são esses fariseus.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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