Proprietário da Guaranhuns diz que tem medo de ser assassinado
Da Redação | 30/08/2005, 00h00
- Nunca mexi com dinheiro sujo, achava que os recursos tinham origem legítima em doações de particulares, dízimos dos integrantes do PT e ajuda de entidades estrangeiras que sempre colaboraram com o PT. Meu grande erro foi sucumbir à "hipnose coletiva" de que o PT seria a salvação do Brasil e dos brasileiros - afirmou.
Muito nervoso, José Carlos Batista disse que foi muito amigo do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, assassinado em 2002. Ele acrescentou que, agora que está envolvido na crise política, tem muito medo de terminar seus dias como o ex-prefeito, "barbaramente torturado e assassinado".
José Carlos disse ser um mero operador de mercado financeiro, acrescentando que está assustado com os "valores estratosféricos" que foram divulgados pela imprensa como tendo sido movimentados por sua empresa, a Guaranhuns. Ele admitiu, no entanto, ter assinado um contrato com Marcos Valério para captação de Certificados em Participação em Reflorestamento até um teto de R$ 10 milhões, em novembro de 2002, com o objetivo de levantar recursos para quitar dívidas de campanha do PT e do PL.
Invocando o habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, ele se negou a responder quanto conseguiu levantar na operação, o que fez Marcos Valério com os certificados, e o modus operandi do contrato. Suas evasivas chegaram a aborrecer o relator da CPI, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG).
Para o relator, ele não quis esclarecer os motivos de ter sido intermediário de dinheiro entre a SPM&B e o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, porque Valdemar é o verdadeiro proprietário da Guaranhuns e José Carlos apenas um testa de ferro.
- Eu me sinto usado pelo PT. Fui o único indiciado pela Polícia Federal nessa crise até agora. As penas a que posso ser condenado somam 24 anos que terei que passar em cárcere sujo e úmido, pelo único crime de ter acreditado no PT e em seu projeto político - concluiu José Carlos.
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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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