Obra de Veríssimo contém ensinamentos, diz Jobim
Da Redação | 24/08/2005, 00h00
Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nélson Jobim, a obra do escritor gaúcho Érico Veríssimo transcendeu o regionalismo e deve ser lembrada no atual contexto político. A avaliação foi feita no encerramento da sessão especial realizada nesta quarta-feira (24) em Plenário em homenagem aos 100 anos de nascimento do autor de Olhai os Lírios do Campo. A sessão foi realizada por iniciativa do senador Pedro Simon (PMDB-RS).
- Sua obra ficou acima das questiúnculas, dos debates locais e nos deixou uma mensagem fundamental. É preciso transcender e fazer a distinção entre o conflito político e o conflito da nação. A democracia é a regra de administração do dissenso, e não a administração forçada do consenso - disse Jobim.
Para o filho do escritor gaúcho, o cronista Luís Fernando Veríssimo, a homenagem feita pelo Senado em homenagem ao seu pai foi "especial e muito emocionante".
- Antes de mais nada foi muito emocionante para todos nós e para a nossa família. Eu já vi muitas homenagens ao meu pai, mas essa do Senado teve um significado especial, pois o Senado é a casa da democracia, e o meu pai era muito preocupado com as questões democráticas, com a liberdade pessoal e a liberdade de expressão. Todos os momentos da sessão foram muito marcantes, tanto as demonstrações de carinho como as de admiração - avaliou o cronista.
Em discurso emocionado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que tomou gosto pela leitura no período da adolescência após a leitura de Olhai os Lírios do Campo. Suplicy destacou que a obra mais importante criada por Érico Veríssimo está personificada no filho do escritor gaúcho, o cronista Luís Fernando Veríssimo, que, conforme afirmou, continua a transmitir as idéias do pai com a publicação na imprensa de crônicas em que avalia a conjuntura política atual.
O senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) ressaltou que o escritor Érico Veríssimo vivenciou, a partir dos anos 30, as mudanças estruturais vividas pelo Brasil na economia e na política.
- Sua obra capta as emoções pessoais, os conflitos dos universos regionais e outras dimensões que permeiam as relações humanas - disse Zambiasi.
Gaúcha e conterrânea de Érico Veríssimo, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), disse que o escritor, nascido em Cruz Alta (RS), soube "fazer da vida uma grande poesia".
Para o senador Paulo Paim (PT-RS), a obra do escritor gaúcho possui caráter universal.
- Uma das qualidades que tento copiar de Érico Veríssimo é o idealismo e o humanismo. Os homens deveriam usar mais as palavras para se irmanarem em atos de amizade e solidariedade - concluiu Paim.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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