Comissão convoca juíza, "Comendador" e irmão de Celso Daniel

Da Redação | 18/08/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos ouviu nesta quinta-feira (18) os depoimentos de dois ex-vice-presidentes de Logística da Caixa Econômica Federal - Mário da Cunha Haag e Paulo Bretãs - e do ex-superintendente de Projetos Especiais da Caixa Carlos Cartell. Entretanto, o destaque da reunião foi a convocação, para prestarem depoimentos, da juíza Maísa Giúdice, da 17ª Vara Civil, em Brasília, de João Francisco Daniel, irmão de Celso Daniel (prefeito de Santo André-SP assassinado em janeiro de 2002) e de João Arcanjo Ribeiro, o "Comendador", que se encontra preso no Uruguai.

Na última quarta-feira (17), a CPI dos Bingos tomou o depoimento de Valderi Albuquerque, ex-presidente da Caixa. Valderi afirmou que a multinacional do ramo lotério, GTech Brasil, conseguiu diversas liminares judiciais que a beneficiaram durante o processo de negociação para a renovação do contrato com a Caixa. De acordo com Valderi, todas as liminares eram sempre concedidas na mesma instância, a 17ª Vara Federal, em Brasília, e com a mesma juíza, Maísa Giúdice.

O "Comendador" é acusado de comandar o crime organizado com ramificações em vários estados brasileiros e de sonegação contra a Receita Federal. João Arcanjo Ribeiro, que está preso em Montevidéu, já teve sua extradição solicitada pelo Ministério da Justiça.

Já o oftalmologista João Francisco Daniel, irmão do prefeito petista assassinado, em depoimento ao Ministério Público, teria sugerido que Celso Daniel foi morto porque desejava denunciar um esquema de corrupção na prefeitura de Santo André. O esquema de corrupção supostamente envolvia integrantes do governo municipal e empresários do setor de transportes. Porém, o senador Romeu Tuma (PFL-SP), autor do requerimento que convocou João Francisco, suspeita que pessoas ligadas a casas de bingos também possam estar envolvidas.

Contrato suspeito

O terceiro a depor nesta quinta-feira (18), Carlos da Silva Cartell, afirmou que a Caixa, em 2002, não tinha condições de assumir o controle total do processamento de jogos lotéricos na época da renovação do contrato com a Gtech, mas que o processo de a Caixa conseguir gerenciar por si só as loterias já havia começado. A renovação do contrato se daria em janeiro de 2003. Cartell disse que participou de algumas reuniões de negociação com a Gtech. Disse ainda que, com a posse dos novos dirigentes da estatal, no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, ele saiu do grupo de negociadores. Cartell também negou conhecer Waldomiro Diniz, Rogério Buratti e Carlos Cachoeira.

- Em laboratório, adquirimos a capacidade de processar jogos, coisa que nunca a Caixa tinha feito, foi uma vitória. Em janeiro 2003 comunicamos isso à diretoria e começamos a trabalhar para que isso acontecesse, sem prazo certo para terminar. Daí a dizer que poderíamos assumir instantaneamente há uma enorme distância - explicou Cartell ao ser questionado pelos senadores Efraim Morais (PFL-PB), Flávio Arns (PT-PR) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).

Para o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais, os três depoimentos trouxeram informações importantes para a comissão, ele destacou que, sobre a renovação com a Gtech e a capacidade da Caixa assumir o processamento de loterias, "Haag pensava de uma forma e Bretas pensava de outra". Já para o relator da CPI, Garibaldi Alves Filho, "não houve convergência de opiniões, pairam suspeitas de irregularidades sobre o contrato".

- Há muitas versões, a CPI precisa ter cuidado - alertou Garibaldi.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)