Emerson Palmieri diz que Roberto Jefferson nunca deve ter distribuído dinheiro de Marcos Valério

Da Redação | 16/08/2005, 00h00

Em depoimento à CPI do Mensalão, o primeiro secretário do PTB, Emerson Palmieri, confirmou o recebimento de R$ 4 milhões das mãos do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, em dinheiro vivo, na sede do PTB, onde estava juntamente com o presidente do partido, deputado Roberto Jefferson (RJ). Segundo ele, o dinheiro foi separado em pacotes de R$ 150 ou 200 mil, colocado no cofre e no armário e as chaves foram confiadas ao deputado, que lhe pediu sigilo.

- Essa foi a primeira parcela das cinco que haviam sido prometidas pelo PT ao PTB, no valor total de R$ 20 milhões, para a campanha conjunta de prefeitos em 2004. As demais nunca foram pagas. Como os recibos desse dinheiro, também prometidos, nunca foram entregues, acredito que Roberto Jefferson nunca distribuiu esse dinheiro. Ele chamou a si toda a responsabilidade - disse, negando que tenha havido um mensalão distribuído aos parlamentares do partido.

O senador José Jorge (PFL-PE) apresentou requerimento para quebra de sigilo bancário fiscal e telefônico de Palmieri, por entender que sabe muito mais do que quer falar. Para ele, não dá para acreditar que tenha sido feito um planejamento de campanhas da ordem de R$ 20 milhões, com 2.930 candidatos a prefeitos em 2003 e, recebidos R$ 4 milhões que não foram distribuídos, ficando "tudo por isso mesmo".

Muitos parlamentares perguntaram a Palmieri sobre sua viagem a Lisboa, com Marcos Valério, para negociar com  a Portugal Telecom contratos que deveriam render ao PT e ao PTB cerca de R$ 24 milhões. O senador João Batista Motta (PMDB-ES) perguntou se esse dinheiro seria de propina, mas Palmieri afirmou que se tratava de "comissão por intermediação de negócios". O depoente afirmou, repetidas vezes, não conhecer a origem do dinheiro.

Para o relator da CPI, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), somente com o exame cuidadoso dos papéis da contabilidade das empresas de Marcos Valério e documentos de quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos será possível se chegar à verdade. O presidente da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), reconheceu não estar havendo "bom senso por parte da CPI dos Correios", no sentido de repassar os documentos sigilosos, o que resultará na duplicação dos procedimentos para quebra de sigilo dos denunciados e muita perda de tempo.

O primeiro-secretário do PTB reconheceu apenas alguns saques dos apontados por Marcos Valério como sendo destinados ao partido, totalizando cerca de 2,5 milhões. De acordo com Palmieri, dois saques feitos por Alexandre Chaves, de R$ 100 mil cada um, para ajudar a filha deste; um terceiro (também dele), de R$ 145 mil, para repassar a Cacá Moreno, por serviços prestados; e um último, de R$ 200 mil, feito pelo deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), para pagar serviços de televisão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)