Duda Mendonça resguarda Lula
Da Redação | 11/08/2005, 00h00
Em depoimento espontâneo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios nesta quinta-feira (11), o publicitário afirmou aos senadores Heloísa Helena (PSOL-AL) e César Borges (PFL-BA) que, apesar de ter fechado um pacote em 2002 para fazer a campanha presidencial, peças institucionais para o PT e mais três campanhas regionais, os R$ 13,5 milhões pagos pelo PT "de forma legal e com nota" se destinavam à campanha de Lula, entre outros gastos. Mendonça argumentou que as campanhas bem-sucedidas recebem mais recursos, por isso tendem a ser pagas de maneira oficial. Os R$ 11,5 milhões sem origem conhecida teriam pago campanhas que não tiveram sucesso.
- Não tenho como comprovar, mas acho possível verificar, pelas minhas faturas, o quanto recebi para cada campanha. É possível, sim, confirmar esse dinheiro legítimo pago no primeiro turno pela campanha do presidente Lula - disse Duda Mendonça.
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) questionou como é possível diferenciar o destino do dinheiro se os recursos foram pagos para um "pacote" de serviços prestados. Duda Mendonça mais uma vez destacou que as campanhas vitoriosas arrecadam mais e que os pagamentos feitos pelo partido podem ser confirmados por faturas emitidas pelas empresas dele.
- Não há justificativa lógica para dizer que os R$ 11,5 milhões não foram para pagar possíveis débitos de campanha eleitoral. Não há como fazer distinção do que era campanha de Lula e dos demais. Não podemos sair daqui com nenhuma afirmação, nem que sim nem que não, que esse dinheiro foi ou não usado na campanha de Lula - disse ACM Neto.
As outras campanhas a que se referem os R$ 25 milhões são do senador Aloízio Mercadante (PT-SP), vitoriosa e de Benedita da Silva para o governo do Rio de Janeiro e José Genoíno para o governo de São Paulo, derrotadas. O publicitário confirmou ter recebido o total de recursos indicado pelo empresário Marcos Valério, R$ 15,5 milhões, em lista de pagamentos divulgada pelo empresário na CPI. De acordo com Duda Mendonça, foram R$ 11,5 milhões pagos diretamente por Valério - parte em espécie, parte em conta no exterior - e mais R$ 3,8 milhões entregues pessoalmente à sócia de Mendonça, Zilmar Fernandes, pelo próprio ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
Na reunião, Mercadante disse que não sabia de nenhuma das informações prestadas por Duda Mendonça. Reafirmou desejar que a comissão "investigue todos e o que for necessário". Mercadante afirmou sempre ter lutado pelo nome de Duda Mendonça como marketeiro do PT mas garantiu nunca ter negociado contratos nem valores.
- Prezo o que está sendo dito, foi muito importante. A dificuldade é saber disso pela TV e pela CPI - afirmou.
Mercadante lembrou que apenas uma semana antes Duda Mendonça teria negado a ele ter recebido os R$ 15,5 milhões de Marcos Valério e realçou que a campanha que o elegeu para o Senado custou cerca de R$ 3,8 milhões, o que a torna "uma das campanhas que mais declarou valores oficiais no Senado".
- Vou continuar defendendo o governo, mas aqui quero a verdade no que diz respeito a minha participação - garantiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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