Tuma defende funcionamento integrado de CPIs

Da Redação | 27/07/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Mensalão precisa estabelecer um cronograma de trabalho o mais rápido possível, pois já há muita coisa a ser feita em decorrência das informações apuradas pela CPMI dos Correios. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (27) pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), que também defendeu o funcionamento integrado das duas comissões.

- É tudo interligado e eu acho que o correto seria uma CPI só. A movimentação financeira investigada pela CPI dos Correios tem que ser repassada para a CPI do Mensalão, para vermos se o dinheiro serviu para pagar parlamentar. Temos que fazer um trabalho de ligação entre os documentos e examinar tudo com muita cautela. Não podemos nos precipitar na análise de documentos fragmentados, pois aí não poderemos montar direito um mosaico da história que queremos investigar - afirmou Romeu Tuma.

O relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), também defendeu o repasse das informações apuradas pela comissão à CPMI do Mensalão. A comissão também vai apurar a suposta compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

- Tudo o que está sendo apurado pela CPI dos Correios vai ser repassado para abreviar os trabalhos da CPI do Mensalão. Isso não significa que eles não possam refazer o trabalho. Nós ouvimos certas pessoas sob um enfoque, e eles podem querer ouvir por outro enfoque, mas tudo será repassado, assim como nós aproveitamos informações da Polícia Federal e do Ministério Público - disse o deputado Osmar Serraglio.

O cronograma de trabalho da CPMI do Mensalão deverá ser definido na segunda- feira (1º), em reunião administrativa prevista para as 18h. Embora o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) esteja previsto para a quarta-feira (3), o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) acredita que os integrantes da comissão terão primeiro que avaliar a permanência do relator, o deputado Ibrahim Abi-Ackel (PPMG), cujo filho, Paulo Abi-Ackel, recebeu doações, para sua campanha política, do empresário Marcos Valério, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo na terça-feira (26).

- As primeiras reuniões da comissão terão que tratar do assunto. O relator é um homem probo e honesto. Mas o Brasil vive hoje tempos muito difíceis, em que qualquer denúncia se torna rapidamente uma grave acusação. O deputado deverá dar explicações para em seguida podermos elaborar um roteiro de trabalho - afirmou Ney Suassuna.

Em nota de esclarecimento, o deputado Ibrahim Abi-Ackel explicou que a contribuição foi feita pelo setor financeiro da campanha majoritária de Eduardo Azeredo e Clésio Andrade, respectivamente candidatos a governador e vice-governador de Minas Gerais, em 1998.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)