TSE faz sorteio de locais para outdoor sobre desarmamento
Da Redação | 27/07/2005, 00h00
Até 1º de agosto, as agências de publicidade que participarão das campanhas do plebiscito sobre proibição de venda de armas e munições deverão cadastrar-se para participar do sorteio de locais de exibição de outdoors. O sorteio será realizado no dia 14 de agosto, de acordo com as normas publicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O plebiscito já foi convocado para o dia 23 de outubro.
Para participar dos sorteios dos locais de outdoors, as agências deverão relacionar os pontos disponíveis para a veiculação da propaganda classificados de acordo com o maior ou menor impacto visual desses cartazes, inclusive os eletrônicos.
Os locais de publicidade destinados aos outdoors serão divididos igualmente entre as frentes parlamentares que defenderão as respostas sim ou não à pergunta proposta na consulta popular, sobre a comercialização de armas de fogo e munições.
A partir de 1º de agosto debates poderão ser transmitidos pelas emissoras de rádio e televisão. Também começa nesta data o prazo legal para a promoção de comícios, shows e eventos promovidos para mobilizar a opinião para o plebiscito. Com esse mesmo objetivo, começa no dia 8 de setembro a campanha do TSE com 15 minutos diários em rede nacional de televisão e rádio.
As frentes parlamentares, porém, somente poderão realizar as campanhas no horário gratuito de rádio e televisão do dia 23 de setembro ao dia 20 de outubro, três dias antes do plebiscito.
Liderada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, a Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas fará a campanha pelo voto sim. Essa frente defende a idéia de que a segurança pública é um dever do Estado. A campanha será fundamentada em pesquisas e estudos que mostram o comércio de armas como uma das causas da violência.
Em oposição a essa idéia foi criada a Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, que fará a propaganda a favor da armas e pelo voto não no plebiscito.
Pesquisa
De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope no período de 14 a 18 deste mês, 81% dos eleitores com mais de 16 anos pretendem se pronunciar a favor da proibição da venda de armas de fogo e munições. Isso significa que a maioria da população já apóia a campanha pelo voto sim no plebiscito, formando a grande base de apoio da campanha liderada pela Frente Parlamentar Brasil sem Armas.
Nas faixas das famílias que percebem de um a dois salários mínimos, o apoio sobe a 84%, próximo dos 83% registrados para as faixas que ganham no máximo um salário. Nas camadas mais ricas, com renda superior a dez mínimos, o apoio ao desarmamento cai para 71%, embora também seja considerado um índice expressivo.
Dessa forma, constata-se que os brasileiros de baixa renda e que moram nas periferias das grandes cidades são os que mais defendem o banimento do uso de armas de fogo no Brasil. O Ibope ouviu mais de 2 mil pessoas representando todas as camadas sociais. Do total pesquisado, 17% são contra a proibição e 2% não souberam ou não quiseram opinar sobre o plebiscito.
Em outro quesito da pesquisa, é possível perceber que os moradores das chamadas periferias das grandes cidades não suportam conviver com a violência. Nestas localidades, o desarmamento obteria o voto sim de 84% das pessoas, contra 81% nas capitais e nos pequenos municípios do interior. Quanto às regiões, o voto sim chega a 86% no Norte e Centro-Oeste, descendo a 70% no Sul. No Sudeste, onde se concentra a maior parte da população brasileira, o desarmamento tem a simpatia de 81% dos eleitores, subindo para 85% no Nordeste.
As mulheres, com base na pesquisa, poderiam ser consideradas mais "pacifistas" que os homens - 86% delas querem o desarmamento, ficando os homens com 76%. Em relação ao grau de instrução, a proposta é bem recebida por 77% dos brasileiros que têm curso superior e por 80% daqueles que estudaram no máximo até a quarta série do ensino fundamental.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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