Delúbio nega existência de mensalão mas confirma "caixa dois" do PT
Da Redação | 20/07/2005, 00h00
- As investigações vão esclarecer os fatos - limitou-se a dizer Delúbio.
O ex-tesoureiro negou a existência do mensalão. Afirmou que apenas ele sabia sobre os empréstimos realizados por Marcos Valério para o PT e que os únicos reconhecidos pela Executiva Nacional do partido são os feitos junto ao Banco do Brasil para a aquisição de computadores, ao Banco Rural (R$ 2,4 milhões) e ao BMG (R$ 3 milhões).
Delúbio afirmou ainda que decidiu contrair os empréstimos porque membros dos diretórios regionais do PT e da base aliada o procuravam para tentar pagar dívidas de campanha. Mas negou-se a esclarecer se seria verdadeira a denúncia feita pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que os petistas teriam prometido R$ 20 milhões ao PTB.
O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), foi duro em seus questionamentos e passou mais de uma hora inquirindo o depoente. Ao resumir o caso, o relator disse que as empresas de Marcos Valério - contratantes da administração pública - teriam se endividado para socorrer Delúbio, oferecendo esse contratos com órgãos do governo como garantia. Entretanto, observou, essas dívidas não foram registradas e até agora não foram pagas.
- Não quitei o empréstimo com Marcos Valério - assumiu Delúbio, sem contestar a versão do relator.
A dívida do PT só cresce, segundo o ex-tesoureiro. Ao BMG, apesar de já ter pagado R$ 800 mil em juros, o partido deve R$ 2,7 milhões e corre o risco de ser executado, se não quitar o compromisso até dezembro. Com o Rural, a dívida já chega a R$ 7 milhões, porque nada foi pago até agora. O dirigente petista também explicou que apenas relacionava os nomes autorizados a sacarem das contas da DNA e da SMP&B, agências das quais Marcos Valério é sócio, mas que era Valério quem decidia quando, como, quanto e onde as pessoas realizariam esses saques.
Banco Popular
Serraglio perguntou a Delúbio se os "altos gastos" com a publicidade do Banco Popular (R$ 24 milhões), em campanha realizada pela agência DNA, poderiam estar ligados aos saques realizados posteriormente das contas da agência de publicidade em socorro ao PT.
- Não existem recursos públicos envolvidos no processo. Não vejo essa conexão - respondeu Delúbio.
O ex-tesoureiro negou ter feito intermediação em favor do Banco Rural junto ao governo, ou em favor do banqueiro Daniel Dantas e de Carlos Rothemburg, ambos do Banco Opportunity. Negou conhecer o diretor da Skymaster, Luiz Otávio Gonçalves, a diretoria financeira da DNA e da SMP&B, incluindo Simone Vasconcelos e Geisa Dias, apontadas como realizadoras de grandes saques no Banco Rural. Também negou ter feito qualquer negociação para preenchimento de cargos em Furnas e garantiu só ter "ouvido falar" em Henrique Brandão, dono da corretora Assurê e envolvido em denúncias de corrupção no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
Osmar Serraglio concluiu sua intervenção, afirmando que as eleições de 2004 foram "viciadas" e que Delúbio não praticou somente irregularidades com recursos "não contabilizados", mas ultrapassou os limites da lei, achando que esta não impunha regras.
- Muita gente perdeu a eleição porque Vossa Senhoria achou que dinheiro não tinha limite e que a lei não impunha regras - disse o relator, acrescentando que, para o Congresso Nacional, "resta impedir que isso se repita".
"Até quando abusarás da nossa paciência?", pergunta Serraglio a Delúbio
Delcidio lamenta sumiço de documentos sigilosos
Delúbio se queixa que CPI dos Correios se transformou em CPI do PT
Comissão decide se convoca mulher e funcionária de Marcos Valério para deporem na próxima semana
Busca no Rural revela lista de beneficiados, informa Alvaro Dias
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: