Secretaria de Comunicação tinha influência na ECT

Da Redação | 13/07/2005, 00h00

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, nesta quarta-feira (13), o ex-presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) Airton Lângardo Dipp declarou que patrocínios acima de R$ 50 mil feitos pela estatal eram examinados por uma comissão mista interministerial coordenada pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom), comandada por Luiz Gushiken. A Secom, ainda segundo Airton Dipp, indicou três dos seis integrantes da comissão de licitação da ECT.

Com relação aos contratos de publicidade dos Correios, as negociações, como é de praxe, também foram coordenadas pela Secom, segundo Airton Dipp. As afirmações do ex-presidente foram feitas em resposta a perguntas do relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Durante o depoimento, Airton Dipp informou que ocupou a presidência dos Correios até o fim de 2003 e declarou que foi indicado para o cargo pelo então ministro das Comunicações Miro Teixeira, filiado na época ao PDT. Airton Dipp contou ter indicado dois diretores da empresa na época, os das áreas financeira e administrativa. O depoente disse ao relator não conhecer o empresário Marcos Valério de Souza, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o operador do mensalão e cuja empresa SMP&B detém uma conta publicitária dos Correios.

O ex-presidente da ECT informou aos parlamentares que conseguiu diminuir os custos dos contratos para o transporte aéreo de carga, conhecido como Rede Postal Noturna. Airton Dipp afirmou que fez uma renegociação do contrato para a prestação do serviço, que custava R$ 400 milhões ao ano para a empresa, e conseguiu reduzir em R$ 100 milhões o custo. Osmar Serraglio questionou o depoente sobre se os preços oferecidos pela empresa Skymaster Airlines - que venceu a licitação - não seriam "inexeqüíveis". Airton Dipp defendeu o resultado da licitação

 A senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) destacou que as denúncias em relação à licitação da Rede Postal Noturna publicadas pela revista Época em junho último (veja matéria abaixo) dizem respeito a  "suborno, espionagem e tráfico de influências". A senadora questionou Airton Dipp sobre a concessão de franquias dos Correios - feita sem licitação - e lamentou que o depoente não tivesse respondido satisfatoriamente aos questionamentos apresentados por ela. Por isso, inscreveu-se para inquirir novamente Airton Dipp.

O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) questionou o depoente sobre a contratação do brigadeiro Venâncio Grossi (veja matéria abaixo) para prestar consultoria para a licitação envolvendo as empresas Skymaster e a Promodal. Airton Dipp afirmou ser comum chamar prestadores de serviço externos, mas garantiu não ter conhecimento das ligações do brigadeiro com a Promodal.

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) destacou que a CPI não tem acusações contra Airton Dipp e perguntou se houve influência da Casa Civil na indicação do depoente para a presidência da ECT. Airton Dipp reafirmou ter aceitado convite do então ministro Miro Teixeira e disse não saber se houve participação da Casa Civil nessa indicação.


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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)