Cachoeira acusa Waldomiro Diniz de tentativa de extorsão

Da Redação | 13/07/2005, 00h00

O empresário do ramo de jogos eletrônicos e instantâneos, Carlos Augusto Ramos - o Carlinhos Cachoeira - disse ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR) que Waldomiro Diniz cobrava propina que variava de R$ 100 mil a R$ 200 mil, além de um por cento sobre a receita decorrente das loterias estaduais. A informação foi dada na reunião desta quarta-feira (13) da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as relações das Casas de Bingo com lavagem de dinheiro e o crime organizado, na qual Cachoeira foi o primeiro depoente.

Cachoeira aparece em fita de vídeo na qual Waldomiro Diniz, ex-assessor parlamentar da Casa Civil da Presidência da República na gestão do ex-ministro José Dirceu, lhe pede propina para direcionar licitações para sua empresa, quando exercia a presidência da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), em 2002, no governo de Benedita da Silva.

Segundo Cachoeira, Waldomiro pediu que ele destinasse recursos para a campanha de Rosinha Garotinho ao governo do Rio de Janeiro e também para Benedita, que disputava a reeleição. Cachoeira afirmou que não atendeu ao pedido, assim como nada destinou à campanha de Geraldo Magela ao Governo do Distrito Federal.

- Waldomiro é uma pessoa dissimulada que me achacou várias vezes. No fundo eu acredito que o dinheiro que ele pedia para os outros era para ele - disse o empresário.

Cachoeira contou ao relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que conheceu Waldomiro Diniz quando ele presidia a Loterj e que, ao longo desses anos, os dois só teriam mantido três contatos, todos em "caráter institucional". Afirmou ainda que atuava de forma lícita nas loterias estaduais de Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, principalmente com a distribuição e venda de bilhetes de loteria instantânea.

O depoente disse ao vice-presidente da CPI dos Bingos, senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) ter sido ele o responsável pela gravação das fitas que registram a cobrança de propina por Waldomiro Diniz. Disse também que tentou documentar, semsucesso, dois encontros mantidos com Waldomiro, já então funcionário da Casa Civil, entre eles um filmado pelas câmeras de segurança do aeroporto de Brasília.

Carlinhos Cachoeira disse ao senador Magno Malta (PL-ES) que gostaria de ser acareado com Waldomiro Diniz e assinalou que não teve chance de se defender das acusações de corrupção na CPI da Loterj, conduzida pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

- A CPI da Loterjnão puniu quem deveria ter punido e vocês aqui vão conhecer quem comanda o jogo clandestino no Brasil. Não pude me defender na CPI da Loterj. Tentaram me desmoralizar e me desqualificar. Mas a história vai dizer quem estava certo - afirmou Carlinhos Cachoeira.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)