Abertura de sigilo de Roberto Jefferson divide comissão

Da Redação | 07/07/2005, 00h00

A votação de requerimento para a transferência dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) tornou-se "palco para disputa política" conforme se acusaram mutuamente oposição e governo. Ao aprovarem a transferência dos sigilos do parlamentar do PTB, parlamentares da oposição passaram a exigir que também fossem votados requerimentos para a abertura dos sigilos do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, do presidente do PT, José Genoino e do deputado José Dirceu (PT-SP).

 O senador Sibá Machado (PT-AC), então, apresentou ofício enviado por fax por Dirceu, Delúbio, Silvio e Genoino, oferecendo espontaneamente a quebra de seus sigilos. Resta agora à CPI receber os documentos originais e encaminhar os pedidos aos órgãos competentes.

A possibilidade de abrir os sigilos de todos os 594 parlamentares, conforme sugeriu a deputada Denise Frossard (PPS-RJ), também causou tumulto entre os congressistas. O senador Sibá alegou que a CPI, assim, estaria "fazendo o jogo" de Roberto Jefferson, transformando os parlamentares de julgadores a suspeitos:

- Eu não devo satisfações a Roberto Jefferson - disse Sibá.

Ele e o deputado Jorge Bittar (PT-SP) fizeram defesas veementes de seus correligionários. Bittar (PT-RJ), aos gritos, afirmou que não permitiria que o PT sofresse mais sangria e nem aceitaria que se tentasse colocar Dirceu e Genoino no "mesmo balaio que Roberto Jefferson":

- Genoino e Dirceu são homens de bem - bradou

O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), ponderou que, além de a Comissão não possuir poderes para determinar a abertura de todos os sigilos, isso seria inconstitucional por não haver um fato determinado que permitisse a ação. Ele também criticou os congressistas por, em sua opinião, quererem fazer da comissão um "palco"

Para a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), o requerimento só foi aprovado porque Roberto Jefferson acusou os membros da CPI de receberem o "mensalão" e praticarem caixa dois em suas campanhas eleitorais, durante a transmissão do "Programa do Jô", da Rede Globo, na última quarta-feira (6), e em seu depoimento anterior à CPI.

Depois de fazer um apelo à CPI para que os parlamentares trabalhassem com equilíbrio e lucidez, o presidente Delcidio Amaral (PT-MT) leu nota de esclarecimento emitida pelo deputado Roberto Jefferson, na qual alega ter confundido a CPI com a Comissão de Ética, onde realmente havia parlamentares que receberam o mensalão, de acordo com sua declaração no Programa do Jô. Na nota, ee repetiu os nomes dos deputados Valdemar Costa Neto (PL-SP), Bispo Rodrigues (PL-RJ), Sandro Mabel (PP-GO) e Pedro Henry (PP-MT) como beneficiários da suposta mesada.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)