Agente da Abin diz que GSI mandou parar investigação nos Correios

Da Redação | 05/07/2005, 00h00

O coordenador geral de operações sistêmicas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Edgar Lange, informou aos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncia de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (CPI dos Correios) que, entre os dias 5 de abril e 16 de maio, por ordem do diretor de Operações Paulo Ramos, seu chefe imediato, investigou um suposto esquema de corrupção na empresa. No dia 17 de maio, ele interrompeu o trabalho, cumprindo determinação do general Jorge Armando Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Edgar Lange, apelidado de "Alemão", negou qualquer envolvimento da Abin na gravação da fita que flagrou o funcionário dos Correios, Maurício Marinho, embolsando o que seria um suborno de R$ 3 mil.

 Edgar Lange - que quer ser chamado de analista de informações e não de "araponga" e que disse que a Abin não investiga, mas "produz conhecimentos de inteligência" - revelou que a investigação nos Correios foi motivada por denúncia anônima enviada à Abin sobre possíveis irregularidades que estariam ocorrendo na estatal. Depois de receber a aprovação para implementar o plano de trabalho que elaborou para a operação, que recebeu o carimbo de "secreta", ele narrou que determinou à sua equipe que coletasse todos os dados disponíveis que poderiam ajudar na "produção de conhecimentos de inteligência".

- Isso ocorreu uma semana antes da revista Veja chegar às bancas com a transcrição da fita que acusava Maurício Marinho de envolvimento em um esquema de corrupção. Como não temos autorização para efetuar "grampos", optei pela única técnica que poderia ser utilizada naquela operação: a entrevista. Consultamos nossas fontes e buscamos pessoas que poderiam nos fornecer dados - afirmou o "Alemão", que explicou que o apelido, ao invés de ser codinome de agente secreto, deve-se ao fato de sua descendência germânica.

Durante o período em que coordenou a investigação sobre os Correios, contabilizou Edgar Lange, ele produziu 16 relatórios sobre o caso. Todos eles receberam classificação sigilosa. O primeiro teria sido expedido no dia 20 de abril, e, o último, em 16 de maio. Nesse dia, lembrou o agente que trabalha há 29 anos na Abin, recebeu do diretor do departamento do qual é subordinado uma cópia da fita de vídeo com as imagens de Marinho. Dois dias antes, em um sábado, a Veja tinha chegado às bancas com a matéria que denunciou a possível rede de corrupção nos Correios. Na terça-feira (17), recebeu a ordem de interromper as investigações.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)