Suassuna: denúncias são nitroglicerina jogada nas artérias da República
Da Redação | 01/07/2005, 00h00
A comissão parlamentar mista de inquérito criada para investigar denúncias de corrupção nos Correios teve uma semana atribulada. O ápice foi o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que reforçou as denúncias da existência de pagamento de mesada a parlamentares da base do governo. Para o líder do PMDB, senador Ney Suassuna (PB), as denúncias feitas pelo deputado comparam-se a "nitroglicerina sendo jogada nas artérias da República a todo minuto".
A próxima semana também será movimentada: o empresário Marcos Valério, apontado como o "operador do mensalão", e sua ex-secretária, Fernanda Karina Somaggio, serão ouvidos pela CPI dos Correios na quarta-feira (6).
Apesar das suspeitas que envolvem Roberto Jefferson, os parlamentares não negam a importância de suas acusações.
- Como testemunha, ele está sendo precioso porque trouxe à luz várias denúncias - opinou Suassuna.
O líder também destacou o depoimento de Marcos Valério :
- Toda a nação está curiosa, ele parece o Mr M, o homem do mistério. A ele estão sendo atribuídas tantas funções que todos nós queremos saber o que há de real - afirmou.
Acareação
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) defendeu a acareação entre três dos principais atores, segundo ele, do episódio Correios/Mensalão: o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o deputado Roberto Jefferson e Marcos Valério, conforme proposto pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM) na quinta-feira (30).
- A acareação é o ideal em uma CPI. A palavra de um contra a do outro pode realmente dar margem ao esclarecimento e assim eliminar dúvidas que possam persistir em relação à sinceridade de um e de outro - defendeu.
O presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS), entretanto, adiantou que a agenda de depoimentos será mantida e que não está prevista nenhuma acareação enquanto os depoimentos já tomados não forem analisados e confrontados.
Alvaro Dias afirmou ainda que cada vez fica mais evidente a ligação entre a corrupção nos Correios e o pagamento do mensalão aos parlamentares da base aliada.
- Com a CPI dos Correios, já estamos chegando ao mensalão. A estatal foi instrumento para a captação de recursos que abastecem o bornal do mensalão, não há como não percorrer esse caminho.
O senador paranaense também classificou como necessária a investigação da verba de publicidade das estatais, já que, observou, as agências foram muito utilizadas para a captação de recursos.
- A Petrobras ano passado tinha R$ 200 milhões de verba de publicidade e agora tem R$ 700 milhões previstos no orçamento. A CPI tem que analisar em profundidade o caminho dos recursos de publicidade do governo.
"Bancada do PMDB é pequena para tanta CPI", diz Suassuna
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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