Alvaro sugere investigação de ligação de agências de publicidade com o Planalto

Da Redação | 01/07/2005, 00h00

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que a comissão parlamentar mista de inquérito dos Correios precisa investigar os caminhos que ligam a Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, que tem à frente o ministro Luiz Gushiken, às verbas de publicidade das estatais, do BNDES e de bancos oficiais. A Secretaria, segundo o parlamentar, centraliza todas essas licitações, o que resulta em "tráfico de influência intolerável".

- Vou citar apenas uma conexão: a mulher do diretor de eventos da secretaria,  dona Telma, é proprietária de uma empresa, Astral, que presta serviços e assina contratos de publicidade com a empresa SMP&B, do publicitário Marcos Valério. Se seguir trilhas semelhantes, a CPI encontrará as empresas do publicitário Duda Mendonça - acredita o parlamentar.

Alvaro Dias considera que a CPI dos Correios já identificou um caminho seguro da corrupção no governo, ligando estatais, como Furnas e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, às agências de publicidade de Marcos Valério, como forma de viabilizar o pagamento do mensalão.

- O Congresso tem uma  responsabilidade indelegável na investigação dessas conexões espúrias entre empresas do governo, de dinheiro público desviado e apoio político comprado,  para punir exemplarmente todos os envolvidos - ressaltou.


Crise

O senador pelo PSDB acha que dificilmente a realização de mais uma reforma ministerial debelará a crise "sem precedentes" que envolve o governo. Para ele, o PT fez crescer a Administração Pública com "um Ministério paquidérmico" e milhares de cargos em comissão, sem exigir competência ou seriedade.

- Somente a diminuição drástica do número desses ministérios e secretarias, aliada à procura dos talentos da sociedade para dar um choque de competência e seriedade no governo, poderia mudar sua imagem de paralisia e corrupção. O preenchimento de cargos em comissão nos Ministérios com concursados ou funcionários de carreira também poderia ajudar  - sugeriu.

Em aparte, o senador Augusto Botelho (PDT-RR) defendeu a necessidade de se recuperarem os recursos públicos que foram desviados pela corrupção. Também em aparte, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) pediu a aprovação urgente de projeto de lei de sua autoria que prevê que funcionários públicos de carreira ou comissionados  que trabalhem com dinheiro público e empresas com negócios com a Administração Pública assinem autorização prévia de quebra de seus sigilos bancário e fiscal, que ficará arquivada para eventual uso, no caso de dúvidas sobre a lisura de seus procedimentos.   

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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