Wascheck queria denunciar conduta de Marinho à direção da ECT
Da Redação | 23/06/2005, 00h00
No depoimento, durante reunião da CPI desta quinta-feira (23),Wascheck fez questão de ressaltar que não esperava que a denúncia tomasse tal dimensão, pois"não tem pretensão política" e um escândalo seria ruim, segundo ele, para seus negócios.
- Foi uma manobra radical, dura - reconheceu o empresário.
Wascheck também defendeu o diretor Antônio Osório, que, como acredita o empresário, "não conhece 50%" do que acontece no setor de Marinho. Ele afirmou que o ex-chefe de departamento "virou o dono da situação" na estatal e que "não existia Antônio Osório". Também disse que Marinho privilegiava grandes empresas e negou que a sua empresa seja "uma empresinha picareta".
Ainda segundo Wascheck, a ECT, que antes era uma instituição que agia com rigor na verificação da qualidade dos produtos e aplicava severas multas, teria mudado de perfil com Marinho. Desde que Marinho tornou-se diretor, segundo ele, os produtos passaram a ser entregues com qualidade inferior à especificação e, por essa razão, eram devolvidos, sem que esses fornecedores sofressem punições.
O empresário citou especificamente o caso da empresa Prot Line que, como contou, ganhou a licitação para fornecer tênis e malas postais, teve seus produtos devolvidos e não recebeu multa nem foi afastada das licitações da ECT por cinco anos, como previa o edital. O dono da empresa, segundo Wascheck, apresentava-se como amigo do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), para tentar intimidar concorrentes. Mas o empresário disse duvidar de que o governador o conheça.
Por outro lado, como fez questão de ressaltar Wascheck, ele próprio foi multado em R$ 1 milhão pelo que considerou um problema de menor gravidade: o atraso nas alterações que deveriam ser realizadas em cofres com fechaduras eletrônicas, previstas em licitação que venceu em 2002. Apóssua empresa - a Comercial Alvorada de Manufaturados Ltda (Comam) -ter sido prejudicada comercialmente, o empresário teria, então, decidido fazer a gravação para flagrar Marinho em atitudes ilícitas.
O sócio da Comam disse também que, para realizar as gravações, contratou o "amigo de bar" Joel dos Santos Filho, juntamente com Jairo Martins de Souza, da SAM Alarmes, para que, utilizando-se de uma maleta com microcâmera, conseguisse dar o flagrante. Foram feitas, como contou, duas gravações, sendo que na primeira não havia material relevante. A segunda, que continha a citação ao deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), foi entregue por Arlindo Molina, oficial da reserva da Marinha, ao próprio parlamentar.
- Depois disso, Marinho se afastou do cargo, a fita apareceu na mídia, e a bomba estourou - ressaltou.
Para Wascheck, seu único erro foi o de ter deixado a fita para edição com Jairo Martins de Souza - a quem chamou de canalha por ter divulgado as gravações para a imprensa.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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