Wascheck coloca sigilo bancário e telefônico à disposição da CPI

Da Redação | 23/06/2005, 00h00

Nesta quinta-feira (23) em depoimento de mais de seis horas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios, o empresário Arthur Wascheck Neto autorizou a abertura de seu sigilo bancário e telefônico à comissão, depois de ser solicitado pelo deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG). Arthur Wascheck assumiu ser mandante da gravação onde o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma suposta propina de R$ 3 mil.

O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), durante inquirição ao empresário demonstrou dúvida quanto a origem da gravação, que poderia ter sido pedida por alguém com "objetivo político". Wascheck, que é sócio da empresa Comercial Alvorada de Manufaturados (Comam), reafirmou a responsabilidade pelas gravações e garantiu que seu objetivo era apenas provar a atuação irregular de Maurício Marinho, por quem se sentia prejudicado comercialmente. 

O empresário também afirmou que está sofrendo as conseqüências comerciais do escândalo. Ele disse que está há 20 dias fora da empresa e tem sofrido "violenta conseqüência comercial". A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) tentou relacionar os contratos do depoente com o Ministério da Marinha com alguma facilitação nos negócios promovida por Arnaldo Molina, oficial da reserva. Essa suposição foi negada por Wascheck.

A senadora Heloísa Helena (Psol-AL) defendeu que a punição seja a mesma para quem realizou as gravações e para os mandantes. Heloisa afirmou que a atitude de Arthur Wascheck Neto mostra "detalhes importantes sobre como é o capitalismo".

- Tem gente que vende a alma mas não entrega a mercadoria para poder vender de novo e não entregar novamente - afirmou a senadora, dizendo que o empresário pensou só na própria empresa e não levou em conta o interesse público.

Respondendo questionamento do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), Wascheck informou que, além dos Correios, sua empresa tem contrato também com o Exército e com a Marinha. O empresário sustentou que o responsável pelo envio das gravações para a imprensa foi Jairo Martins de Souza. Segundo o Wascheck, a disponibilização da fita para a imprensa representou um "suicídio comercial" para a empresa dele. Wascheck informou ainda ter pago um total de R$ 10 mil pelo serviço de gravação das duas fitas.

Em resposta ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR) sobre a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na gravação, Wascheck garantiu que não sabia que um dos envolvidos na gravação pertencia à agência. Ele disse não conhecer ninguém da Abin e nem saber como o órgão funciona. O empresário esclareceu que seu único objetivo era "derrubar" o ex-diretor dos Correios Maurício Marinho, ao mostrar o que o chefe de departamento estava fazendo. Arthur Wascheck frisou que não paga propina e que ninguém nunca lhe pediu nada nesse sentido. O empresário também afirmou que se existirem fraudes realizadas por Marinho nos Correios provavelmente acontecem na execução dos contratos.

Ao deputado Maurício Rands (PT-PE), Wascheck informou não saber a origem dos R$ 3 mil pagos a Maurício Marinho e que esse dinheiro não foi dado por ele próprio. Apontou que apenas contratou pessoas para fazerem a gravação. Ainda por questionamento de Rands, afirmou que na época considerou que o melhor procedimento seria levar a fita ao deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, uma vez que Marinho citou o nome de Jefferson na fita e que a indicação de Marinho para o cargo teria sido feita pelo PTB, de acordo com boatos que correm nos Correios.

- Achei normal, em vez de pedir sindicâncias internas dos Correios, solicitar providências ao deputado - disse.

Para o deputado Carlos Abicalil (PT-MT) Wascheck declarou que trabalha há 24 anos com licitações. Disse ter sentido que, diante da atuação de Maurício Marinho, "precisava tomar uma posição". Uma vez tendo a gravação em mãos, achou que deveria informar ao presidente do partido que indicou Marinho, que seria o PTB, e ao superior imediato, o ex-diretor dos Correios Antonio Osório. O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) questionou se Wascheck teria doado dinheiro para a campanha a deputado estadual de Antônio Osório. Wascheck também negou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)