Simon: Lula pode perder credibilidade e respeito se não agir rápido
Da Redação | 15/06/2005, 00h00
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse nesta quarta-feira (15) que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vai perder respeito e credibilidade se não tomar decisões urgentes para contornar a grave crise política que abala seu governo. Para Simon, o presidente Lula não deve ficar esperando resultado de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e de processos em tribunais para demitir ministros e auxiliares envolvidos em denúncias de corrupção e escândalos.
- Ficar esperando o resultado das coisas é muito mau. Há um sentimento de que Lula não participa de nada do que está acontecendo (atos de corrupção), de que é um homem de bem e de que merece respeito e credibilidade. Mas esse respeito e credibilidade também vão acabar. Não dá, por exemplo, para ele ficar esperando o Supremo Tribunal Federal condenar o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) para demiti-lo do BC - afirmou.
Simon questionou ainda o modo de funcionamento do governo do PT. Ele citoudeclaração do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de que havia informado a vários ministros sobre a mesada que, segundo o deputado, vinha sendo paga a parlamentares da base do governo pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, sem que o governo tenha tomado qualquer providência para punir os responsáveis ou afastar os culpados pela irregularidade.
- Como é que se explica que um governo sério tenha ministros que são informados sobre um assunto desses e nada acontece? - questionou.
Para Simon, "a crise é mais grave do que deveria ser" e Roberto Jefferson não só apontou as denúncias sobre corrupção no governo como também denunciou a si mesmo, quando admitiu que seu partido recebeu R$ 4 milhões do PT para campanha política sem declarar essa quantia à Justiça Eleitoral.
Quanto à CPI dos Correios, Simon criticou a atitude do governo que, primeiramente, rejeitava sua instalação, e, agora, como não conseguiu evitar os fatos, quer eleger o presidente e o relator da comissão. Simon lembrou que o PT sempre foi defensor das CPIs e disse que o partido, hoje, porta-se de outra forma, tentando até vetar parlamentares na comissão, como é o caso da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL). Ele considera que tal atitude de nada adianta, pois, como lembrou, o governo também tinha maioria na CPI que culminou com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, mas, no final dos trabalhos, os parlamentares votaram contra o governo.
Reforma Política
Sobre a reforma política, Simon disse que, infelizmente, o assunto está sendo discutido em meio a uma grave crise. Lembrou de seu projeto sobre o financiamento público de campanha, já aprovado no Senado e que está tramitando na Câmara, e ainda de outro projeto, que também está na Câmara, que trata da limitação do número de partidos, criando a federação dos partidos, em substituição às coligações partidárias hoje permitidas, para facilitar a vida das pequenas agremiações.
Simon disse ainda que o país sempre teve um "amontoado de partidos", mas, em sua opinião, nunca partidos verdadeiros.
- Teve o PMDB, que está em crise, e o PT. Mas os brasileiros levaram todos esses anos para constatar que o PT também foi um fracasso - afirmou.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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